Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.
07-01-2011

Muitas delas mereceriam chamar-se OMGs "organizaçons mais que governamentais"

ONGs

JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS


Ainda que no seu nome se definem como nom governamentais, a actuaçom prática destas organizaçons é unha das melhores e mais efectivas máquinas de adormecimento de consciências e defesa do sistema capitalista.

Estou certo de que a maioria da gente que colabora ou incluso fai parte dalgumha destas organizaçons fano de boa fé, mas nom se trata só de recriminar o comportamento individual senom mais bem afundar em que som e cales som os seus interesses últimos.

Muitas destas "ONG", estám ligadas directamente a instituiçons com uns objectivos ideológicos mais que claros. Disfarçados iso si, de "ayuda al prójimo". A igreja em geral, e no nosso caso particular a católica tem umha ampla rede destas organizaçons, desde o âmbito local, cáritas, ao internacional coas denominadas missons. Resulta grotesco ver como desde os médios de comunicaçom se critica ás organizaçons integristas muçulmanas por ajudar aos pobres em Líbano, Gaza ou Egipto e por outra banda defende-se o papel de cáritas que realiza a mesma funçom na nossa sociedade. Ademais é importante recordar o papel das missons especialmente em África de ajuda á difusom do SIDA e outras enfermidades de transmissom sexual pola política católica contra o condom.

E falando das ONGs, os EUA som um dos países especialistas em "exporta-las", muitas delas mereceriam chamar-se OMGs "organizaçons mais que governamentais", já que estám criadas e dirigidas directamente desde o governo USA e algumha delas directamente desde o pentágono. Foi mais que clara a intervençom nas revoluçons de "cores" das antigas repúblicas soviéticas, Ucrânia, Geórgia... E em América do sul sabem bem das suas actuaçons. Nom quero deixar de comentar o caso de reporteiros sem fronteiras, que ainda sendo francesa recebe grande parte dos seus ingressos do partido republicano de USA e de grupos anticubanos.

Estamos rematando o natal, provavelmente a época quando é maior a ofensiva mediática em geral das ONG. Normalmente a estratégia é sempre a mesma, imagens de situaçons dramáticas, que nom vam mais alá do pessoal. Por exemplo; este neno nom tem comida, passa fame e pode morrer, é um neno do "terceiro mundo", umha espécie de "maldiçom bíblica", ás vezes som comunidades particulares, ou a conseqüência dum desastre natural.... Mas nunca se contextualiza, porque se chegou a esta situaçom, cales som as causas que a originárom?, como é possível que um terremoto poda causar umha destruiçom incrível num pais, e praticamente nula noutro?.

Há menos dum ano que umha mulher chamou á porta da minha vivenda, começou a explicar-me, se eu era consciente que no mundo havia muita desigualdade, que havia pobres nenos que nom tinham aceso á sanidade roupa ou comida, e que tinha a opçom de ajudar a que um destes nenos pudera comer e ir á escola. Eu respostei-lhe que si, mas pensava que a soluçom era outra, para que esse neno e os seus vizinhos puderam comer tinha que mudar o sistema que creia estas situaçons, nom há soluçons individuais, só colectivas.

Quando algo "nom funciona", o que se fai se realmente se quere reparar é buscar as causas que o creiam, e depois conhecendo-as muda-las para rematar com o "mal funcionamento". Se umha casa está a cair de pouco vale que a pinte, quedará mais bonita, mas acabará caindo.

O erro aqui está no principio, no ponto de partida. Porque, sejamos realistas, aqui nom se quere cambiar nada!, todo está bem, o sistema funciona. Bom, algumhas vezes escapa-se algumha foto que pode enturbar as consciências, nom há problema, cria-se umha ONG e "polo prezo dum café ao dia", podemos dormir tranqüilos, já salvamos um neno, pode ir á escola e asi quando seja maior pode colher umha "patera" onde com muita probabilidade pode morrer intentando chegar ao primeiro mundo, ao espelhismo do capitalismo.

Som o imperialismo e o capitalismo os causantes da desigualdade no mundo, das desigualdades entre os países explorados e exploradores e das internas entre os explorados e os exploradores. É precisamente agora, nestes momentos de crise do capitalismo quando essa situaçom se agudiza mais, quando som mais evidentes as desigualdades porque as vivemos com mais intensidade. E ante isto, as "hermanitas de la caridad" modernas encargam-se de todo siga igual, se alguém nom come damos-lhe um bocata e aí remata todo. Nom se podem solucionar os problemas que gera o sistema dentro del. Ou mudamos de sistema ou ajudamos ao seu mantimento em maior ou menor medida. Nom se cura umha enfermidade dissimulando os seus sintomas, ou erradicamos as causas que a produzem ou teremos de novo brotes e nunca daremos sanado.

Necessitamos umha sociedade desperta, consciente da realidade na que vive, que poda identificar com claridade a origem dos problemas, as ONGs desviam atençom, adormecem a consciência social e nom solucionam nada porque nada mudam. Se de verdade queremos evitar que os nenos e nenas morram de fame, nom tenham roupa ou estudos, teremos que começar desde a origem. Teremos que mudar o sistema social e produtivo, mentres nom acabemos com a causa nom haverá soluçom. E para iso nom chega com dar o preço dum café ao dia e depois que todo siga igual. Para iso é necessário o compromisso, a militância politica, activa e consciente. O demais som esmolas e tiritas para um mundo descuartizado.