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28-07-2021

E O AMORTECEDOR RACHOU

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



A começos dos anos 80 A comarca de Ferrol, especialmente os concelhos da ria buliam de trabalho, e nom só no naval, também com toda a indústria que havia a seu arredor, trabalho e riqueza numha comarca economicamente viva e que era um pólo de atracçom para a gente doutros concelhos do interior. Mas a sentença de morte já estava escrita em Madrid, e começou a sua execuçom. Chamárom-lhe “reconversom”, e o único que figeram foi converter umha zona viva e rica numha zona sem trabalho, empobrecida e fonte de emigraçom. Bazán e Astano perderam muito trabalho, outras empresas como a Fenia simplesmente desapareceram, detrás os serviços...

Fôrom anos duros, e ainda nom rematárom, mas daquela só houvo umha “empresa” que nom caiu, que medrou e absorveu umha parte dos trabalhadores e trabalhadoras que ficaram no desemprego, foi a ria de Ferrol. A diferencia doutras confrarias ao longo do pais, as da ria de Ferrol, especialmente as de Ferrol e Baralhobre, a procedência dos seus sócios e sócias nom está relacionado com o mar ou a tradiçom marinheira, som em grande parte pessoas que venhem da indústria, especialmente do naval. Foi nesses anos 80 e 90 que a ria foi capaz de dar sustento e evitar a miséria de centos de pessoas, funcionou como um amortecedor que diminuiu o impacto da desfeita industrial planificada.

A ria de Ferrol nesses momentos era a mais produtiva do pais. Já havia problemas iniciais (aterros e falta de depuraçom), mas pouco depois começárom um trás outro, no 92 o mar Egeu fixo sentir na ria os efeitos da maré negra. Em janeiro do 98 o Discoverer Enterprise, rompia a ponte das Pias e deitava no fundo os pedaços partidos (onde ainda permanece umha parte importante deles), estragando umha das zonas mais produtivas do banco das Pias. Em 2002 foi o Prestige o que achegou de novo a maré negra. Até outono do 2017 nom entrou em funcionamento a EDAR norte (ainda nom rematada a conexom de todos os vertidos), um sistema ineficaz como demostra a existência hoje de duas zonas C estáveis, umha C temporal e ainda umha outra zona sem classificar. 

Toda esta soma de factores conhecidos, mais algum outro ainda sem conhecer ou valorizar a sua importáncia real, levou na atualidade à ria de Ferrol a umha situaçom calamitosa. Nom foi inesperado nem repentino, foi pouco a pouco, mas sem descanso, cada ano é pior que o anterior. Agora mesmo a produçom está em arredor dum 20% do que era há apenas 10 anos. A maior parte da gente que trabalhava no mar está a deixa-lo porque nom da nem para sobrevivência. As três Confrarias da ria levam anos pedindo ajuda à Conselharia do Mar que se esconde atrás dos milhares de euros que custa a batea de reinstalaçom (que também da serviço a Minho e Corcubiom) e do custo da pontona de controlo da extracçom das Pias.




Sendo conscientes da necessidade de tomar medidas eficazes e da responsabilidade múltipla, porque temos um “auto-governo” que tem umha miséria de competências, desde as Confrarias decidimos fazer umha convocatória a todas as administraçons com responsabilidades. Começou-se a finais de 2018, mas ficou no esquecimento, mas recuperamos em 2021 um apelo à administraçom autonómica e central, para criar umha mesa de trabalho, porque entendemos que é preciso fazer um estudo que determine as causas da situaçom atual e poder atuar para recuperar a ria, o médio marinho e a sua capacidade produtiva. Convocou-se ao ministério de transportes (infraestruturas sobre a ria), ao ministério de transiçom ecológica (demarcaçom de costas), autoridade portuária Ferrol-Sam Cibrao, Conselharia do Mar, Conselharia de Meio Ambiente, Portos da Galiza, Águas da Galiza, e também à mancomunidade de concelhos de Ferrol-terra, como colaboradores necessários convocou-se à estaçom de biologia marinha da Granha (EBMG).

Desta primeira convocatória teria que sair constituída a mesa de trabalho, com objetivos claros marcados. Mas do estado só apareceu a autoridade portuária Ferrol-Sam Cibrao e umha pessoa enviada pola subdelegaçom do governo em representaçom dos ministérios. Pola Junta viu umha pessoa em representaçom das conselharias convocadas. Rematamos com umha proposta da EBMG, antes de começar qualquer estudo fazer umha recompilaçom de todos quantos estudos havia da ria, para estabelecer um ponto de partida.

E houvo umha segunda, o representante da subdelegaçom informou do desentendimento dos ministérios convocados, competências si, mas responsabilidades nom. Ante a proposta da EBMG optou-se porque esta ia passar um orçamento (já que este trabalho seria desenvolvido por ela) que se repartiria entre estado e Galiza. E o orçamento chegou, e passou-se e a resposta foi o silencio. Já nom houvo terceira reuniom, para que?, se nom som capazes de pagar apenas 3.000 € entre estado e Junta, que tipo de estudo se vai fazer?. Qual e quanto é o interesse em solucionar o problema da ria de Ferrol?, essa resposta si é simples, nengum. O meio de vida que foi amortecedor da destruiçom do naval, umha ria rica e com grande biodiversidade está morrendo. De novo há umha sentença assinada em Madrid e os seus fiéis servos asumen, os que tinham que mirar polo pais, miram polos seus interesses. Onde esta o limite?

Joam Luís Ferreiro Caramês


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