19:44 Mércores, 02 de Decembro de 2020
Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.

25-10-2020

Uma palavra de origem germânica para algo que deveu existir desde o tempo dos castros?

Broa

Valorar (3)

ALBERTE LAGO VILLAVERDE


Dizia Ferrin, num artigo publicado no Faro de Vigo o 31 de Julho de 2020, que a palavra galega para pão é pan, do latim panis, é que broa seria uma importação do germânico, cognato co inglês bread e o alemão brot que na origem significaria levedar. Seria uma palavra que entrou no idioma no tempo dos suevos. Compre nao esquecer o inglês bun (pronunciado ban) que seria um cognato de pão co significado de bolinho, ou panecillo em castelhano, o que implica que as equivalências co inglês são mais complicadas do que pode parecer a primeira vista.

Também diz Ferrin: Presúmese, con moito fundamento, que o pan feito con millo miúdo en Galicia, común antes da introducción do millo americano, tamén recibía o nome de broa.

Isto é certo. Na lista de “vocábulos gallegos escuros” do Bachiller Olea, do 1535 ou 36, —e por tanto anterior á chegada do milho americano— se define boroa como pan de millo. Tem que tratar-se do milho miudo.

Corominas fala de boroa no seu dicionário, curiosamente na entrada desmoronar. Cita boroa como atestada em Portugal no 1220 e a considera de origem pre-romano. Os dicionários portugueses consideram que boroa seria a forma mais antiga e broa uma variante mais recente.

Resulta curioso cando menos, que o significado mas antigo de broa fosse pão de milho miúdo que logo se trasladaria ao pão de milho americano ou de mestura de milho com centeio. Porque uma cousa que sabemos de certo dos habitantes dos castros é que cultivavam e consumiam grandes cantidades de milho miúdo, tanto como para produzir incredulidade nos arqueólogos doutros paises. E precisavamos esperarmos aos suevos para lhe dar nome a esse pão?

brá


Em gaélico da Escócia é a palavra para o muinho e secundariamente para cousas redondas: a bonnach bráthan (uma tarta redonda). Que o nome do pão derive duma palavra para muinho ou massa de farinha não parece raro. E a pronúncia do á (a longo) pode passar facilmente a o aberto no gaélico. Um exemplo, o nome galego Joam/Xoán comparado co gaélico Seán, que se pronuncia /xoon/ com o aberto, e sim trata-se do mesmo nome.

Porque no gaélico não se emprega uma palavra emparentada? O nome do pão é arán. Porque os gaeles da Irlanda e a Escócia consumiam o grão principalmente como papas e não como pão. E, de feito, existe uma palavra semelhante mas que significa papas:

brochan


gruel, porridge, Irish brochán, Old Irish brothchán; broth-chán, *broti-, cookery; root bru, Indo-European bhru, whence English broth, Latin defrutum, must. See bruith.

Segundo o dicionário de McBain

Logo brochan, onde o ch se pronuncia como a gheada do galego poderia perfeitamente ser um cognato de broa e boroa, mas com diferente significado. Também há palavras semelhantes noutras línguas celtas. Temos o bretão bara pão, e a mesma palavra no galês. breacag -aig, -an, sf Small thin cake no gaélico escocês, bairgen pão e também tarta no gaélico da Irlanda.

A diferença co gaélico tem que se dever a que na Galiza há uma cultura do pão desde a epoca dos castros, como se bota de ver polos fornos em muitas das vivendas. A importância do pão é evidente ainda hoje, mesmo comparando a Galiza com Castela ou outros territórios donde o o cultivo do cereal é predominante. E se apareceu no começo da cultura dos castros, a origem mais provável dessa cultura do pão deveria ser de origem fenícia. E isso por dous motivos:

  • Os fenícios eram comerciantes que vinham mercar o estanho da Galiza desde o outro lado do Mediterrâneo. Logo provinham dum território onde já havia uma cultura do pão.

  • A influência dos fenícios na Península, nos começos da Idade do Ferro, produziu uma diferença fundamental co desenvolvimento da Irlanda que fora paralelo até o final da Idade de Bronze. Na Irlanda e na Escócia, essa influência dos fenícios não existiu ou foi muito menor.

Mas isto já é tema para outro artigo.



[27-10-2020 23:20] Dairas comentou:

Antes todo viña dos romanos. Agora todo ven dos fenicios. Seica os galaicos e os galegos non temos ren por riba dos hombreiros e nunca fomos quen de inventar ren...

Engade o teu comentario:

Os campos marcados con* son obrigatorios.







© Fundación Bautista Álvarez de Estudos Nacionalistas
Terra e Tempo (ISSN 1575-5517)
Avenida de Lugo, 219, 1º, 15703 • Santiago de Compostela • Galiza
981 57 02 65 – info#code#terraetempo#code#gal

A Fundación recibiu unha axuda da Deputación da Coruña na convocatoria de 2018 para a mellora da utilidade de páxina web. Deputación da Coruña