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14-10-2020

O Serviço de Pesquisas do Congresso dos Estados Unidos, em Maio de 2020, estima o preço médio de um F-35 em 108 milhões de dólares

Em Ghedi, prepara-se a nova base para os F-35 nucleares italianos

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MANLIO DINUCCI


No aeroporto militar de Ghedi (Brescia), estão a inciar-se os trabalhos de construção da base operacional mais importante para os caças F-35A da Força Aérea Italiana, armados com bombas nucleares. A empresa Matarrese spa, de Bari, que se adjudicou ao contrato com uma oferta de 91 milhões de euros, vai construir um grande hangar para a manutenção dos caças (mais de 6000 m2) e um edifício que irá albergar o comando e os simuladores de voo, equipado com um isolamento térmico e acústico perfeito, “a fim de evitar fugas de conversas”.

Um F-35 em «exibição» na base  aérea de Ghedi, numa foto de Fevereiro deste ano

Serão construídas duas linhas de vôo, cada uma com 15 hangares dentro dos quais estarão caças prontos para levantar voo. Isto confirma o que publicámos há três anos (il manifesto, 28 de Novembro de 2017), ou seja, que o projecto (lançado pelo então Ministro da Defesa Pinotti) previa a fixação de, pelo menos, 30 caças F-35A.

A área ultra secreta onde os F-35 estarão instalados, cercados e vigiados, estará separada do resto do aeroporto. O motivo é claro: ao lado dos novos caças, estarão localizadas as novas bombas nucleares USB61-12, em Ghedi, num depósito secreto que não consta do contrato.

Como as actuais bombas nucleares B-61 com as quais estão armados os Tornado PA-200 do 6º Esquadrão, as B61-12 serão controladas pela unidade especial americana (704th Munitions Support Squadron della U.S. Air Force), «responsável pela recepção, armazenamento e manutenção de armas da reserva de guerra USA, destinadas ao 6º Esquadrão da NATO da Força Aérea Italiana». A mesma unidade da Força Aérea dos Estados Unidos tem a função de "apoiar directamente a missão de ataque" do 6º Esquadrão.

Os pilotos italianos já chegam treinados, nas bases aéreas de Luke, no Arizona, e Eglin, na Flórida, para usar o F-35A também em missões de ataque nuclear, sob comando USA.

Os caças do mesmo tipo, armados ou, de qualquer maneira, que podem vir a ser preparados com as bombas nucleares B61-12, estão albergados na base da Amendola (Foggia), onde já ultrapassaram as 5.000 horas de voo. Além destes, estarão os F-35 da U.S. Air Force, instalados em Aviano com as bombas nuleares B61-12.

O novo caça F-35A e a nova bomba nuclear B61-12 constituem um sistema integrado de armas: o uso do avião implica o uso da bomba. O Ministro da Defesa, Guerini (PD), confirmou que a Itália mantém o compromisso de comprar 90 caças F-35, 60 dos quais são caças modelo A com capacidade nuclear.

A participação no programa F-35, como parceiro de segundo nível, reforça a ancoragem da Itália aos Estados Unidos. A indústria de guerra italiana, chefiada pela empresa Leonardo que administra a fábrica dos F-35 em Cameri (Novara), está ainda mais integrada no gigantesco complexo militar-industrial dos Estados Unidos, liderado pela Lockheed Martin, a maior indústria de guerra do mundo, construtora dos F-35.

Ao mesmo tempo, a Itália - Estado não nuclear aderente ao Tratado de Não Proliferação que lhe proíbe ter armas nucleares no seu território - desempenha a função cada vez mais perigosa, de base avançada da estratégia nuclear USA/NATO contra a Rússia e contra outros países.

Dado que cada avião pode transportar 2 bombas nucleares B61-12 no porão interno, só os 30 caças F-35 de Ghedi, terão uma capacidade de, pelo menos 60 bombas nucleares. Segundo a Federação de Cientistas Americanos, a nova bomba "táctica" B61-12 para os F-35, que os EUA vão instalar em Itália e noutros países europeus a partir de 2022, sendo mais precisa e estando mais próxima dos seus alvos, "terá a mesma capacidade militar das bombas estratégicas distribuídas nos Estados Unidos ».

Por fim, fica a questão, ainda indefinida, dos custos. O Serviço de Pesquisas do Congresso dos Estados Unidos, em Maio de 2020, estima o preço médio de um F-35 em 108 milhões de dólares, precisando porém, que é "o preço de um avião sem motor", que custa cerca de 22 milhões. Depois de comprar um F-35, ainda que por um preço mais baixo como a Lockheed Martin promete para o futuro, começa a despesa para a sua modernização contínua, para o treino das tripulações e para o seu uso. Uma hora de vôo de um F-35A - documenta a Força Aérea dos Estados Unidos - custa mais de 42.000 dólares. Quer isto dizer que as 5000 horas de voo efectuadas só pelos F-35 de Amendola, custaram aos nossos cofres públicos 180 milhões de euros.

O original encontrase em http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=29790




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