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21-04-2020

Num artigo de há poucos dias no blogue de Manuel Gago está a falar duma palestra de Ruiz Zapatero sobre os celtas da Península. Cita que a cousa que mais lhe chamou a atenção foi a idea de Barry Cunliffe de dar-lhe a vol

Facing the Ocean

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ALBERTE LAGO VILLAVERDE


Dous mapas num livro há vinte anos que ainda tem cousas que nos ensinar.

Num artigo de há poucos dias no blogue de Manuel Gago está a falar duma palestra de Ruiz Zapatero sobre os celtas da Península. Cita que a cousa que mais lhe chamou a atenção foi a idea de Barry Cunliffe de dar-lhe a volta a um mapa da Europa, para perceber a importância do mar na fachada atlântica e a situação da Galiza nela. Esta idea de Cunliffe apareceu num livro vai para vinte anos atrás: Facing the Ocean, the Atlantic and its Peoples 8000 BC—AD 1500. Um intento de pensar a fachada atlântica da Europa como um todo. O livro tem sido sobre passado em muitos aspectos nestes vinte anos e, de feito, escreveu-se com essa idea. Mas, no começo do livro, há dous mapas que seguem a ser tão relevantes como cando se publicou no 2001. Percatei-me de que muita gente não conhece esses mapas de Cunliffe e as suas repercussões para a historia da nossa nação, e de ai este artigo.

O primeiro Mapa e ao que se refire Manuel Gago: Europa vista desde o mar. Este é o que figura arriba do artigo e resulta o mais chocante para quem o vê por vez primeira. Em realidade o que faz Cunliffe não é exatamente dar volta ao mapa, no sentido de ponhe-lo boca abaixo. Na prática é um quarto de volta, mas o importante é que miramos a Europa desde o mar. A maneira de considerar Europa, não coma origem senão como ponto de chegada e o mar como o caminho, obriga a repensar moitas das nossas pre-concepções sobre o Atlántico.

O segundo mapa, que aparece mais abaixo sinala os nós principais da rede de comércio no Atlântico e a situação da Galiza como ponto de passo das rotas marítimas. Fixem-se no lugar que ocupa a Bretanha como hub. É o nó que une a rota do Mar do Norte coa das Ilhas… e connosco. E fixem-se na posição da Galiza: cinco ou seis dias de navegação á Irlanda, catro ou cinco a Cornualha e três á Bretanha. O livro de Cunliffe começa falando dessa situação central da Bretanha e de como se refletiu no folclore.

Uma interpretação da região atlântica

Um dos motivos para escrever o livro foi, segundo tem contado Cunliffe, o percatar-se de que os bretões seguiam a considerar aos galegos como parte da família celta. Cousa que para el nao tinha sentido nenhum até que começou a considerar as rotas marítimas da fachada atlântica como um conjunto. Isto é o que tem que dizer sobre a posição da Galiza, na página 34 do livro:

As duas antecâmaras estão ligadas por uma rede de rotas marítimas que inevitavelmente tem em conta e incorporam o Noroeste da Península Ibérica, onde as costas das rias da Galiza achegam ancoradouros abondo. Ao contrário que as zonas cor, coa sua facilidade de acesso a outros mundos, Galiza tem montanhas ás costas —mira só cara o mar. Logo ela serve essencialmente como um chanço — um chanço vital e com valiosas reservas de metais que ofrecer— mais um chanço assim e todo.

A distância por mar entre a Bretanha e a Galiza são três dias de navegação com vento favorável. O que importa sublinhar é que a distância en dias de viagem entre Corunha e Santiago de Compostela é a mesma que a da Corunha a Quimper ou Lorient. Há três etapas no caminho inglês entre Corunha ou Betanzos e Compostela. E esta não era uma distância teórica, os bretões estavam a viajar de seguido a Galiza para comprar e vender. Entre outras cousas, o sal que se precisava para a salgadura do peixe vinha nos barcos da Bretanha, que não vinha do Guadalquivir nem do Mediterrâneo.

Não se pode entender a pré-história da Galiza, o Bronze, os castros nem a maior parte da nossa Idade Media sem considerar as rotas marítimas. Os Vikings ou o duque de Lancaster não vinheram aqui por casualidade. Tampouco os reis de Portugal estavam interessados em adquirir todo ou parte do reino por capricho, havia motivos estratégicos e de população. Logo, para pensar o futuro da nossa nação, compre fazer caso a Cunliffe: estamos coa espalda contra as montanhas e de cara ao mar. E já sabemos o que há detrás dessas montanhas…

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