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21-12-2019

Embora as tecnologias anteriores fossem destinadas a fabricar ‘smartphones‘ cada vez mais avançados, a 5G foi concebida não só para melhorar o seu desempenho

O uso militar escondido da tecnologia 5G

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MANLIO DINUCCI


Na Cimeira de Londres, os 29 países da NATO  comprometeram-se a “garantir a segurança das nossas comunicações, incluindo a 5G”. Por que razão esta tecnologia da quinta geração da transmissão móvel é tão importante para a NATO?

Embora as tecnologias anteriores fossem destinadas a fabricar ‘smartphones‘ cada vez mais avançados, a 5G foi concebida não só para melhorar o seu desempenho, mas principalmente para ligar sistemas digitais que precisam de grandes quantidades de dados para funcionar de modo automático. As aplicações mais importantes da 5G serão realizadas, não no campo civil, mas no campo militar.

Quais são as possibilidades oferecidas por esta nova tecnologia, explica-as o relatório Defense Applications of 5G Network Technology, publicado pelo Defense Science Board, uma comissão federal que fornece consultoria científica ao Pentágono:

“A tecnologia 5G emergente, comercialmente disponível, oferece ao Departamento da Defesa a oportunidade de usufruir a baixo custo, os benefícios desse sistema pelas próprias necessidades operacionais”. Por outras palavras, a rede comercial 5G, construída por empresas privadas, será usada pelas Forças Armadas dos EUA com uma despesa muito inferior àquela que seria necessária, se a rede fosse construída apenas para fins militares.

Os especialistas militares prevêem que a 5G desempenhará um papel determinante no uso de armas hipersónicas: mísseis, armados, também, com ogivas nucleares, que viajam a velocidades superiores a Mach 5 (5 vezes a velocidade do som). Para guiá-los em trajectórias variáveis, mudando o curso numa fracção de segundo para escapar aos mísseis interceptores, é necessário recolher, processar e transmitir enormes quantidades de dados muito rapidamente. O mesmo é necessário para activar as defesas em caso de ataque com essas armas: não havendo tempo para tomar uma decisão, a única possibilidade é confiar nos sistemas automáticos 5G.

A nova tecnologia também desempenhará um papel fundamental na battle network (rede da batalha). Sendo capaz de ligar, simultaneamente, numa área circunscrita, milhões de equipamentos receptores e transmissores, permitirá aos departamentos, e  aos militares individualmente, transmitir entre si e praticamente em tempo real, mapas, fotos e outras informações sobre a operação em curso.

Extremamente importante, será a 5G para os serviços secretos e para as forças especiais. Tornará possíveis sistemas de controlo e de espionagem muito mais eficazes do que os actuais.

Aumentará a mortandade dos drones assassinos e dos robôs de guerra, dando-lhes a capacidade de identificar, seguir e atacar determinadas pessoas, com base no reconhecimento facial e noutras características.

A rede 5G, sendo um instrumento de guerra de alta tecnologia, tornar-se-à também, automaticamente,  num alvo de ataques cibernéticos e de acções bélicas efectuadas com armas da nova geração. Além dos Estados Unidos, esta tecnologia é desenvolvida pela China e por outros países. Portanto, a disputa internacional sobre a 5G não é só comercial.

As implicações militares da 5G são quase completamente ignoradas porque, mesmo os críticos dessa tecnologia, incluindo vários cientistas, concentram a sua atenção nos efeitos nocivos para a saúde e para o meio ambiente, devido à exposição a campos electromagnéticos de baixa frequência. Empenho esse, da máxima importância que, por conseguinte, deve ser combinado com o uso militar dessa tecnologia, financiada indirectamente pelos utentes comuns.

Uma das principais atracções, que favorecerá a difusão dos ‘smartphones‘ 5G, será a de poder participar, pagando uma assinatura, em jogos de guerra de realismo impressionante, em transmissão contínua (in streaming), com jogadores de todo o mundo. Desse modo, e sem se aperceberem, os jogadores financiarão a preparação da guerra – da guerra real.

Artigo orixinal en https://www.globalresearch.ca.

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