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17-10-2019

O crescente branqueamento do nazi-fascismo vai de braço dado com a perseguição e proibição dos comunistas, as primeiras e maiores vítimas dessa forma extrema de violência terrorista do capitalismo

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JORGE CADIMA


A vergonhosa resolução aprovada pela maioria do Parlamento Europeu sobre a II Guerra Mundial (19.9.19), não é apenas grave pela tentativa de reescrever e falsificar a História. É grave por aquilo que representa para a actualidade e o futuro. Apenas oito dias mais tarde, o Ministro da Defesa da Letónia, país da UE, discursou numa cerimónia comemorativa dos legionários letões que combateram durante a II Guerra Mundial nas fileiras das SS – o braço militar do Partido Nazi responsável por muitos dos seus piores crimes, incluindo massacres como os de Pripyat, Oradour, Marzabotto, Fosse Ardeatine. A revista inglesa New Statesman chama às Waffen-SS «a maior máquina de matar judeus da História do mundo» (16.3.12). No seu discurso, o Ministro Pabriks apelou a que «honremos os legionários caídos, e que ninguém despreze a sua memória! Os legionários letões são o orgulho do povo e do Estado da Letónia» (notícia de 27.9.19 na página oficial do Ministério da Defesa). Na Letónia, a quase totalidade da população judaica foi exterminada e «unidades nativas de auxiliares foram responsáveis por muitos dos assassinatos» (‘O império de Hitler’, do historiador inglês Mazower). Muitos letões recusaram o colaboracionismo e até o combateram de armas na mão. Mas o Ministro orgulha-se dos que combateram a URSS integrados nas SS. Não há notícia de que os deputados no PE que votaram a favor da resolução (todos os do PSD, CDS, PAN e – com uma única abstenção – do PS) se tenham indignado com as palavras do Ministro.

A reabilitação da pior escória fascista não é novidade. Os veteranos letões das legiões das Waffen-SS e seus admiradores desfilam todos os anos, desde 1998, nas ruas da capital Riga, tal como sucede noutras repúblicas bálticas que integram a UE. Os massacres dos fascistas ucranianos (como o da Casa dos Sindicatos de Odessa, 2 Maio 2014) passaram na indiferença cúmplice da comunicação social e do poder na UE. O italiano Tajani, Presidente do Parlamento Europeu até às eleições de Maio passado, declarou a uma estação de rádio (14.3.19) que «até às leis raciais [1938] e a declaração de guerra [Junho 1940]» Mussolini tinha feito muitas «coisas positivas para a Itália». Todos os anos, moções anti-nazis são aprovadas na ONU, mas com os votos contra dos EUA e a abstenção dos países da UE. Os familiares antepassados de muitos dos actuais dirigentes de países de Leste eram fascistas – salvos pelos EUA no fim da II GM e trazidos de volta pelos EUA há um quarto de Século.

O crescente branqueamento do nazi-fascismo vai de braço dado com a perseguição e proibição dos comunistas, as primeiras e maiores vítimas dessa forma extrema de violência terrorista do capitalismo que é o fascismo. A resolução do PE (no seu considerando F e pontos 17 e 18) não só ‘legitima’ a proibição e perseguição dos comunistas e dos seus símbolos que há muitos anos ocorre em numerosos países da UE, como sugere alargá-la a toda a UE, juntamente com a endoutrinação escolar dos jovens. Só quem não quer é que não vê o que se está a passar.

Um capitalismo incapaz de sair duma profunda crise sistémica, e cujos pólos históricos (EUA/Europa) vêem escapar-lhes de mão a hegemonia planetária a que se habituaram, resvala de novo para a tentação fascista do século passado. Como sempre, pelo anticomunismo se ataca a democracia e se abre a porta ao fascismo. É urgente acordar.

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