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10-09-2019

Infelizmente, o resgate de seres humanos em situação de emergência, não move os corações dos diferentes países da Comunidade Europeia.

Insensibilidade atroz que gela, que é pedra

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CRUZ MARTÍNEZ


Começa o mês de setembro. É noite e o  forte som do mar embravecido bate nos meus ouvidos com uma fereza inaudita. E eu, acurralada nesta insónia marinha, deixo-me ir no brusco balanço das ondas e o meu pensamento faz um percurso inevitável pelas duras imagens. Aquelas que cada manhã nos desperta dum jeito brutal à realidade, à injusta existência desenhada pela intolerância, pelo racismo. Verdadeiramente infunde pavor a atitude hostil, insensível que prossegue obstinada em impor novamente um  Apartheid.

Por desgraça cresce uma alarmante proliferação de ideários que estão na origem doutra hora, bafios, râncidos. É isto é um facto certo, real. A facharia habita em todos os estratos sociais e às vezes, demasiadas, trocam-se com total impunidade em supostas políticas adequadas.  Moldadas perfeitamente para a imposição da lei da rolha.

Infelizmente, o resgate de seres humanos em situação de emergência, não move os corações  dos diferentes países da Comunidade Europeia. A crueldade é tão intensa, tão evidente, que semelha que o único que se faz e observar as feridas, as chagas provocadas pelo desleixo, pelo abandono. E se esta atitude não fosse dura demais, por acima, o poder segue acusando,  culpabilizando não só às vítimas. Também às organizações que intentam ajudar aos imigrantes.  Inevitavelmente, o mundo continua a ser manipulado pelo poder. Por um poder que se considera amo doutros seres humanos e que ademais decidem quem deve ou não sulcar os mares que eles acoutam, privatizam. Creem-se omnipotentes.

Nesta grave situação vê-se o grande fracasso da comunidade europeia, que não encontra uma solução nem procura uma forma de obrigar aos estados membros  a deixar entrar nos seus portos às vítimas e salva-las duma morte certa. Contrariamente, não fazem nada e o Mediterrâneo continua sendo um cemitério, o lugar onde se perdem tantas vidas. A cor azul da água adquire o forte vermelho púrpuro da morte.

Supostamente vivemos numa sociedade avançada. A tecnologia ocupa por completo  a nossa vida, absorve-nos. Mas as características fundamentais que nos deveria representar  como seres humanos, ao parecer estão desvirtuadas, inexistentes. E em consequência a ajuda humanitária e a solidariedade  converte-se em delito, perseguidas pelas autoridades, supostamente competentes. Assim que, até esse ponto chega a insensatez, a insensibilidade atroz que gela, que é pedra. Em definitiva são incongruências, que de jeito incompreensível converte em norma o inaceitável.

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