20:44 Mércores, 21 de Agosto de 2019
Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.

10-07-2019

Às vezes a vida origina um afastamento inevitável. Não obstante, o rural permanece indelével nas nossas mentes. Pois, somos urbanitas com o coração conectado aos regatos e aos vimeiros.

Urbanita com o coração aderido à terra

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CRUZ MARTÍNEZ



São as  9:15 h. É uma manhã linda para viajar e sentir o abraço do sol na pele de invernia.

Exceto pelas luzes de seguridade, quando o comboio entra  no túnel, o espaço queda envolvido  numa escuridade extrema.

Enquanto a máquina circula pela linha férrea, as paisagens filtram-se pelas janelas do vagão e há inúmeros alvoroços:  o ruído do motor, gente falando, meninos rindo, berrando… 

Ainda que há uma hesitante quietude. Essa união de sons descompassados criam uma melodia símil a um arrolo e adormece-te, transporta-te a outros lares e a outros tempos  que ficam inalteráveis na recordação. Magicamente, como se de um filme se tratasse, visualizam-se os diversos fotogramas, extraídos do teu road map. Mais uma vez, as verbas espargem-se, batem nos valados de Val de Deus. Nas pedras intactas do moinho da Buraca. Semelha que Ero persiste acovilhado nesse lar, dormido, preso  na hipnose do gorjeio dum belo rouxinol.

Ali a luz pecha num entreato de nostalgia, no sombrio painel de inverno. Baixo os carvalhos que medram perto da "Cerca do cura". Nas superfícies que te abraçam,  refletem do hipotálamo e  fogem para detrás do Castrove timidamente, lentamente como um sonho preguiçoso.

Os ilhós baixam das carvalheiras, estabelecem-se na retina dum passado que jamais fenecerá. A água do rio Armenteira, percorre os caminhos da infância e da adolescência. Rega os canais dos reformados velhos moinhos. Onde se acocha o recordo amado do irmão que fiz possível a reconstrução desse espaço. Ele retomou-o  ao presente. Despertou os murmúrios doutrora através da pedra e a água. Onde a transformação dos  grãos de milho em farinha afigura ser o  milagre perdido das estantarias do capitalismo. O maná essencial das nossas avós e mães.

Com respeito aos moinhos, antigamente ademais de moer,  eram lugares sociais, idóneos para a comunicação. Hoje em dia, estas construções revelam sequências, factos  da nossa história e assim seguem  imperturbáveis. Contudo, agora estão em desuso e só aparecem no espaço como oleografia de enfeite.  

Sem nenhuma dúvida, este semelha ser o lugar perfeito para estar e viver em perfeita harmonia com a natureza. Envoltos nas visões que alcançam a memória: milheirais,  plantios de alcacén. Os amieiros e salgueiros que dançam nos beirais do rio...

Às vezes a vida origina um afastamento inevitável. Não obstante, o rural permanece indelével nas nossas mentes. Pois, somos urbanitas  com o coração conectado aos regatos e aos vimeiros. Por consequência, cada vez vivemos mais de costas ao torrão natal. Somos os exilados que por diversas razões trocaram a aldeia pela cidade. Porém,  sem esquecer as fragas que percorrem pelas veias e as pegadas que continuam lacradas na argila. Como um sinal indestrutível de identidade.

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