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15-04-2019

No México de hoje o poder prossegue a velha linha de associar todos os participantes na revolução de 1910, metendo no mesmo saco revolucionários como Emiliano Zapata e homens que traíram a revolução

Zapata nos tempos da “Quarta Transformação”

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PÁVEL BLANCO CARRERA


A reescrita da história tem sempre em vista um objectivo actual. É assim que no México de hoje o poder prossegue a velha linha de associar todos os participantes na revolução democrático-burguesa de 1910, metendo no mesmo saco revolucionários como Emiliano Zapata e homens que traíram a revolução como Francisco Madero.

Embora López Obrador insista em que lidera uma mudança de regime a verdade é que faz tudo pela restauração do velho regime, aquele que conhecemos como o governo PRI, ou seja, o que emergiu da revolução democrático-burguesa de 1910.

Por mais de 70 anos, o principal apoio da dominação estatal da burguesia foi a ideologia da Revolução Mexicana, uma posição política que postula que a Unidade Nacional é a força que permite o progresso do México. Em tal posição parte-se de uma versão da história em que o importante é a independência e soberania, e que no futuro esse objectivo unifica as diferentes classes acima dos antagonismos, ou seja apelando sempre à conciliação interclassista para explicar o passado e agir no presente e no futuro. Por isso é-lhes necessário coloca dentro do mesmo processo e com os mesmos fins Zapata e Villa juntamente com Madero, Carranza, Obregon, Calles e Cárdenas, ainda que, como sabemos, na guerra civil de 1910-1919 expressassem diferentes interesses de classe, e embora tenham lutado contra um inimigo comum (Porfirio Díaz e depois Victoriano Huerta) lutaram também entre si, porque tinham objectivos irreconciliáveis.


Lopez Obrador apoia-se nessa visão da história, e tem os mesmos fins que a burguesia do regime anterior que diz negar mas que restaura a cada passo: apaziguar o conflito socioclassista e oferecer a paz social como principal garantia aos monopólios para um período de estabilidade e de lucros.

Passa em 10 de Abril 100 anos sobre o assassínio em Chinameca de Emiliano Zapata, chefe político e militar do Exército Libertador do Sul, expressão do campesinato e dos povos indígenas e uma das alas radicais da revolução democrático-burguesa. O governo de López Obrador procura institucionalizar esse acontecimento para integrar Zapata no panteão da Unidade Nacional. Mas é também sabido que López Obrador reivindica Madero como um de seus principais exemplos.

Quando se tratava de derrubar a ditadura de Porfirio Diaz, instalada por mais de três décadas, todas as forças de oposição reconheceram a chefia de Francisco I, Madero, mas uma vez que este chegou à presidência da República o exercício do governo demonstrou que não expressava uma mudança social e começaram os desacordos, pois eram necessárias mudanças profundas para deixar para trás o México Bárbaro, onde a terra estava concentrada num punhado de proprietários de terras e as condições de trabalho da classe operária eram asfixiantes, os grandes problemas nacionais exigiam soluções radicais e não a saída moderada de Madero, que procurava mudar tudo sem mudar nada. E uma das forças que confrontou Madero foi a do zapatismo, e Madero enviou o exército para o combater.

Os revolucionários sulistas foram condenados, inclusivamente por outras forças revolucionárias que pensavam que havia que dar algum tempo a Madero, mas proclamaram o Plano de Ayala para o derrubar. ..”e tal como levantámos as nossas armas para o elevar ao poder, agora voltamo-las contra ele por faltar aos seus compromissos com o povo mexicano e de ter traído a revolução iniciada por ele: Não somos pessoalistas, somos partidários de princípios e não de homens.”
Ignorar as profundas contradições entre Madero e Zapata e procurar integrá-los numa única visão significa trair os ideais revolucionários do zapatismo.

Que López Obrador escolha Madero e deixe Zapata em paz. Porque López Obrador, tal como Madero, as forças revolucionárias e rebeldes do presente confrontam-nos, e as que ainda estão na dúvida, pouco a pouco irão ver que interesses representa.

Insistimos, não se esqueça, o Plano de Ayala foi proclamada em 28 de Novembro de 1911, e foi-o contra Madero, quando este era já presidente, porque a luta não era apenas contra a ditadura, mas também contra os fracos que prometem mudanças e acabam impedindo-as .

Reivindicar e procurar institucionalizar o zapatismo enquanto se impulsiona o Projecto Integral Morelos, as ZEE, o Comboio Maya, o T-MEC, aproxima-os mais de Guajardo mesmo que proclamem que 2019 é o ano de Emiliano Zapata. López Obrador alinha com os que executaram Zapata em 10 de Abril de 1919.




Orixinal en Rebelión.org publlicado en ODiario.info

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