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16-03-2019

Em 2015 os Estados Unidos e seus aliados já haviam incorporado plenamente a ciberguerra na sua doutrinas militar. Em Julho desse ano, oficiais de alta patente dos EUA e do Reino Unido realizaram uma simulação de três semans

Apagão na Venezuela. O ciberataque como guerra de baixa intensidade

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RODRIGO BENEDITH


Mais de 10 anos se passaram desde quando os senhores da guerra se deram conta de um novo teatro para operações militares, um cenário ubíquo e até então em expansão: a Internet.

Já em 2010 Anders Fogh Rasmussen, então secretário-geral da NATO, declarou que "não é um exagero dizer que os ciberataques tornaram-se uma nova forma de guerra permanente e de baixa intensidade". Nesse mesmo ano, o general Keith Alexander, chefe do Ciber Comando dos Estados Unidos, declarou num painel do Congresso que o que mais o preocupava eram os ataques destrutivos que vinham, particularmente os ataques à infraestrutura crítica dos sectores bancários e eléctricos do seu país.

Quando Alexander falava de ataques destrutivos referia-se à utilização de ciberataques já não unicamente para roubo de informação ou negação de serviço de alguns sítios web e sim para a destruição real da infraestrutura vital de um país.

Nesse mesmo ano realizou-se o maior e mais refinado cibertaque conhecido até então: o governo israelense com um suposto apoio dos EUA, através de um verme informático chamado Stuxnet infiltrou sistemas de controle industrial em instalações do governo iraniano, destruindo suas centrifugadoras nucleares.

Em 2012, um cibertaque à Aramco, a companhia petrolífera propriedade do governo da Arábia Saudita, apagou 75 por cento da sua informação afectando 30 mil computadores e 2 mil servidores, que incapacitaram a companhia durante um mês.

Enquanto uma pessoa comum utiliza motores de busca como o Google ou o Bing para encontrar informação, os hackers podem usar o Shodan , um motor de busca que localiza dispositivos conectados à Internet: desde câmaras de computador, buzinas, refrigeradores até instalações geradoras de energia, sistemas de controle industrial e bases de dados. Com o Shodan podemos localizar, pelo menos, 288 dispositivos conectados na Venezuela que incluem redes do Ministério das Relações Interiores e Justiça, hospitais do Ministério da Defesa e o Banco do Tesouro da República Bolivariana. Todos estes dispositivos vulneráveis a um ciberataque coordenado por um governo hostil ou por grupos de hackers organizados. Em 2013, a cadeia noticiosa CNN dos EUA descobriu que sistemas de controle industrial de centrais hidroeléctricas francesas puderam ser facilmente encontrados, junto com todas as suas vulnerabilidades, utilizando o Shodan.

Em 2015 os Estados Unidos e seus aliados já haviam incorporado plenamente a ciberguerra na sua doutrinas militar. Em Julho desse ano, oficiais de alta patente dos EUA e do Reino Unido realizaram uma simulação de três semans em Suffolk, Virgínia. Não era a primeira vez que se fazia, no entanto nessa simulação contou-se com a presença de novos actores: representantes das indústrias bancária e de energia eléctrica. Ali se praticaram exercícios de ataque a sistemas de controle industrial de instalações de tratamento de águas, interrupção de tubagens de petróleo e gás, congelamento da retirada de dinheiro em cash e desconexão de energia eléctrica.

O almirante da marinha estado-unidense Kevin E. Lunday, participante daquelas simulações, declarou: "não se trata de saber se esse cenário ocorrerá e sim de quando ocorrerá".

Recentemente o Ciber Comando dos EUA assinou um contrato de 460 milhões de dólares para apoio a missões de ciberguerra e a elaboração de uma quantidade significativa de "munições digitais", além do recrutamento de 6200 ciber-soldados.

Com tudo o que se disse, deve ficar claro que a ciber-guerra é uma estratégia de sabotagem de infraestruturas chaves de países considerados inimigos dos Estados Unidos a fim de preparar o terreno para uma guerra convencional ou, em certos casos, para impulsionar uma guerra civil. Bill Leighter, outro almirante estado-unidense, sugere que se um comando aéreo quisesse lançar um ataque, este poderia ser antecedido por um ciber-ataque para, por exemplo, apagar a rede eléctrica das instalações a bombardear e, assim, degradar a capacidade defensiva do inimigo.

Após a sabotagem do sistema de controle da central hidroeléctrica Simón Bolíva, nestes últimos dias, continuaremos nós a acreditar que tudo é uma teoria da conspiração? Ou já faz sentido o tipo de guerra de baixa intensidade a que a Venezuela está a resistir?




O original encontra-se em www.cubaperiodistas.cu/...

Este artigo encontra-se em resistir.info

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