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27-05-2018

Em África, não é só no Egipto que a Rússia está a investir e a competir com numerosas empresas e interesses europeus

Forte investimento da Rússia em África

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CARLOS LOPES PEREIRA



Os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da Rússia e do Egipto reuniram-se em Moscovo, no início de Maio, e debateram a cooperação entre os dois países.

O comércio russo-egípcio, cujo volume quase quintuplicou nos últimos anos, receberá dentro de dias novo impulso com a assinatura de um acordo bilateral para a criação da zona industrial russa em Port Said.

A ideia foi lançada em 2014, após uma reunião entre os presidentes Vladímir Putin e Abdel Fattah al-Sisi, e o projecto foi concretizado em 2016 e será formalizado agora.

O investimento na primeira zona industrial russa no estrangeiro – que poderá servir de exemplo para outros casos – deve atingir, naquela cidade mediterrânica junto do Canal de Suez, os sete mil milhões de dólares. Trata-se de uma iniciativa a médio prazo e, segundo as estimativas, a instalação da zona industrial demorará 13 anos. Mas espera-se que logo em 2026 a produção das unidades industriais ali criadas atinja três mil e 600 milhões de dólares.

Empresas russas de automóveis, de engenharia e de produtos farmacêuticos já manifestaram interesse no projecto. Também fabricantes de maquinaria pesada estudam a transferência de uma parte dos processos produtivos para a nova zona industrial, na perspectiva de reduzir os custos na venda dos equipamentos aos seus clientes no continente africano.

Segundo meios de informação russos, como o serviço de notícias Sputnik e o canal televisivo Russia Today, o Egipto beneficiará com o avultado investimento no acesso imediato a produtos de alta tecnologia e através da criação de milhares de novos postos de trabalho. O interesse de Moscovo no projecto é a possibilidade de entrar no mercado egípcio – de 95 milhões de pessoas – como parceiro privilegiado. Além disso, a proximidade estratégica do Canal de Suez permitirá às empresas russas exportar mais facilmente os seus produtos industriais para toda a África, Sul da Europa, Golfo Pérsico e até para América Latina.

No final do ano passado, o Cairo e Moscovo tinham já anunciado, depois de dois anos de estudos e negociações, a construção pela corporação estatal russa Rosatom de uma central nuclear em Al-Dabaa, na costa mediterrânica egípcia. Trata-se de um investimento de 21 mil milhões de dólares, financiado por crédito russo, estando a conclusão da obra prevista para 2028-2029.

Em África, não é só no Egipto que a Rússia está a investir e a competir com numerosas empresas e interesses europeus (britânicos, alemães, franceses, belgas…), estado-unidenses e chineses.

Moscovo elaborou um plano de cooperação e, na segunda metade de 2017, enviou delegações ao Senegal, Gana, Zâmbia, Moçambique, Zimbabué e África do Sul. Tem incrementado, a esses países e a outros como a Nigéria, a Argélia e a Tanzânia, a venda de produtos russos que vão da agro-indústria à indústria automóvel e aeronáutica.

Indicador deste processo de intensificação das relações económicas entre a Rússia e a África foi também a visita, em Março último, de uma delegação chefiada pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros a diversos países africanos. Serguei Lavrov esteve em Angola, Namíbia, Zimbabué, Moçambique e Etiópia e renovou com os respectivos governos laços antigos de cooperação política, económica e militar.



Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2321, 24.05.2018



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