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06-05-2018

A pesca e o marisqueio fam parte da história e da forma de ser do nosso povo, sendo um dos principais factor de crescimento e desenvolvimento económico da Galiza

O que temos que fazer para poder viver do mar

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



O passado 21 de Abril no parlamento da Galiza um grupo de gente que vivemos do mar tivemos um encontro com Montse Prado, a deputada do BNG que leva as questons de pesca. Ainda que maioritariamente a gente que ali presente eram trabalhadores de pesca artesanal também havia outros sectores. Ali estávamos diferentes sectores, mas um problema comum.

A pesca e o marisqueio fam parte da história e da forma de ser do nosso povo, sendo um dos principais, por nom dizer o principal, factor de crescimento e desenvolvimento económico da Galiza. Mas a entrada na UE em 1986 foi um ponto de inflexom. Todo começou a ir pior, e desde entom a caída é continua. Cada vez que se fala disto começam a aparecer motivos que justificam este declive continuo.

Primeiro o “principio de estabilidade relativa” (principio que limitava a quantidade de barcos e quotas dos mesmos) que se aplica à frota espanhola (galega na quase totalidade) que trabalha em Europa, o motivo era a sobre-dimensom desta frota e a protecçom da dos outros países. É verdade que afectou e afecta aos barcos que trabalham em Europa, mas porquê também baixa a frota que trabalha na Galiza ou na grande altura?.

O respeito rigoroso da UE aos critérios ambientalistas e científicos, polo que se estabelecem os TACs (total admissível de capturas) para cada espécie e dos que derivam as quotas que depois se aplicam aos diferentes países da UE. Agora bem, nem os critérios da UE som tam rigorosos, nem muito menos o reparto dos TACs se fai em relaçom à distribuiçom da espécie a capturar, senom que se fai em base a critérios políticos e em funçom da pressom e/ou do interesse que cada pais tenha. Aqui há um factor importante a destacar, a dia de hoje a Galiza tem ainda o 10% do total das pessoas da UE do sector pesqueiro, mas nom tem representaçom por si mesma nas negociaçons, como tenhem outras zonas com muito menor percentagem. A representaçom e só de Espanha e a Junta da Galiza cede com docilidade e e servilismo. Que na quota da Sarda todo o estado espanhol tenha menos do 25% da quota das ilhas Feroé (com menos habitantes que Ferrol e que nem sequer pertencem à UE), da ideia do interesse de Espanha na defesa do sector. Mas se pensamos, que da miséria da quota correspondente a Espanha, A Galiza coa maior parte dos barcos corresponde-lhe apenas o 25% da mesma, isto também indica a defesa que fai a Junta da Galiza da pesca do nosso pais. E ainda mais, que a miséria de quota estabelecida para esta espécie ( e também para o resto ) seja a repartir entre pesca industrial e pesca artesanal, indica a falta de interesse total do estado espanhol e da Junta da Galiza na defesa do sector.

É importante explicar o da pesca artesanal para a gente que nom conheça a pesca; representa o 88% do total da frota pesqueira galega, mas só o 10,7% da tonelagem da mesma. A sua capacidade de captura é infinitamente menor, mas criam muitos mais postos de trabalho, utilizam artes muito mais selectivas, apresentam umha maior percentagem de mulheres e ajuda a fixar populaçom na costa. A inclusom destes na quota da sarda, significa que desde apenas a primeira semana de abertura da pesca desta espécie, já nom podem pescar mais porque já está pescado o total permitido. Quando começam a pescar, já nom podem pescar mais, o peixe segue aí e entra nos aparelhos, mas tenhem que o deitar ao mar já morto.

A pesca e marisqueio recebem dinheiro de Europa para o desenvolvimento e modernizaçom, mas o que nom se di é que a maior parte desse dinheiro vai para a destruiçom de barcos ou construçom de portos desportivos.

Poderíamos seguir com o resto, marisqueio, aqüicultura, cerco, palangre... Mas esse é um dos principais problemas, ver cada um desde o seu umbigo, e em muitos casos enfrentar-se uns contra outros, incluso entre confrarias e mesmo dentro das próprias confrarias. Essa é a nossa maior debilidade e desde o PP sabem explora-la bem. Só desde a uniom de toda a gente do mar é possível mudar esta situaçom, é difícil, mas, as vezes passa. A lei de aqüicultura foi parada polo sector em pé, e o PP tivo que recuar.

Mas que é entom o que passa?, por quê a Galiza nom está reconhecida como zona altamente dependente do mar e tem representaçom própria na UE?, por quê se inclui a frota artesanal nas quotas de pesca?, por quê se segue a aplicar (depois de 32 anos) o princípio de estabilidade relativa?, por quê o serviços de vigiláncia, tanto da conselharia como a Guardia Civil perseguem aos e às profissionais como delinqüentes?, por quê o empenho da conselharia em desenvolver a aqüicultura industrial e entregar a nossa costa?... Há muitas luitas parciais, mas há só umha final. Do mesmo jeito que ocorre com toda a economia, o objectivo é a privatizaçom e controlo por umhas poucas multinacionais dos recursos do mar que som de todos os galegos e galegas. A Junta da Galiza renuncia do seu dever de defesa do povo que representa e opta por se pregar aos interesses de Madrid e das multinacionais.

A capacidade produtiva do mar da Galiza e a sua qualidade som inquestionáveis e pro isso que é um sector muito apetecível. O caminho marcado é claro. Onde hoje há umha ria com centos ou milhares de mariscadores e mariscadoras, querem umha ou duas empresas que gestionem os recursos, mecanizadamente, com pouco emprego e com a maior parte do rendimento económico marchando fora da Galiza. Onde hoje há quase 4.000 barcos de pesca artesanal, haverá uns poucos de pesca industrial de capital alheio, com muitos menos marinheiros e marinheiras. O potencial da aqüicultura desenvolvida desde e para o sector combinada coa pesca e o marisqueio, estará controlada por capital estrangeiro, desenhada baixo critérios industriais, mais ou menos como hoje, mas com legislaçom que a ampare e permita a sua expansom sem travas. Resumindo, a entrega dos nossos recursos e a pobreza para o pais.

Para poder viver do mar temos que ter claro que nom nos jogamos um recurso, senom que nos jogamos todo. Este ataque vai muito mais alá de umha ria ou de um tipo de pesqueira, ou do peixe, os crustáceos, ou os moluscos. Jogamos-nos o pais inteiro, a nossa forma de explorar o mar e de viver na costa, a nossa forma de entender a vida e a paisagem. A única maneira de poder viver do mar é actuando como povo, defendendo os nossos recursos, modernizando para a melhora de todos e todas, estando presentes e com voto onde se negocie os nossos direitos pesqueiros. Temos que deixar de nos mirar o umbigo, abrir os olhos e reagir contra o roubo geralizado dos nossos recursos e direitos, actuando colectivamente, só assi poderemos viver do mar.



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