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15-04-2018

Colocar no mesmo plano do xadrez mundial EUA e Rússia é um grave erro que dificulta a construção de uma vasta frente de luta contra o inimigo principal

Rússia – Uma campanha delirante

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ALBANO NUNES



A delirante campanha orquestrada contra a Rússia a partir da Grã-Bretanha merece reflexão. E isto porque, para além da sua colossal dimensão mediática, ela constitui um passo adiante na escalada de hostilidade e confronto das grandes potências imperialistas, concertadas em torno da NATO, contra a Federação Russa. Não há dúvida de que ela funciona como manobra de diversão perante as dificuldades do governo de Theresa May no processo do Brexit, os impasses e divergências no processo de integração capitalista europeu – como ficou claro no Conselho de 23/24 de Março –, as incidências na UE da guerra comercial desencadeada pelos EUA tendo como principal alvo a China.

Não se trata aqui de especular sobre o que realmente se passou com o espião russo do M16 britânico. Se há questão na análise internacional em que se aconselha prudência ela é a que envolve (na linguagem dos «especialistas») serviços de «inteligência» e «operações encobertas». Trata-se sim de compreender as razões de tanto alarido e tanta ameaça que, tendo em conta as potências envolvidas, pode ter desenvolvimentos muito graves para a segurança e a paz mundial pois o contexto em que aquela campanha se situa é a de uma demencial corrida aos armamentos por parte dos EUA e seus aliados e quando a doutrina militar de Washington aponta expressamente a Rússia e a China como inimigos a conter e derrotar.

Claro que é necessário rejeitar sofisticadas confusões induzidas pela propaganda da classe dominante. A Rússia não é a União Soviética. Nem no plano interno quanto ao seu sistema social, nem quanto aos princípios que regem as suas relações internacionais. O sistema socialista foi destruído e a economia russa está à mercê de grandes grupos capitalistas mafiosos. É preciso estar preparado para surpresas. Mas é evidente que Putin não é o Ieltsin entreguista, que há sectores-chave da economia não privatizados e que a Rússia continua a ser uma poderosa potência militar, como foi evidenciado no discurso anual de Putin à nação. E mais importante do que tudo isso são os sentimentos nacionais anti-imperialistas do povo russo, um povo que mais do que nenhum outro sofreu com a invasão da sua pátria e que, apesar de todo um demolidor revisionismo histórico, não aceita que o seu país se torne colónia de potências estrangeiras. Putin e o seu governo não o podem ignorar. É preciso ver com critérios marxistas toda a complexa realidade russa. Colocar no mesmo plano do xadrez mundial EUA e Rússia é um grave erro que dificulta a construção de uma vasta frente de luta contra o inimigo principal.

A cavalgada da NATO (e da UE) para Leste que se seguiu à destruição da URSS chegou já às fronteiras da Rússia, mas não atingiu ainda todos os seus ambiciosos objectivos. E com a sua posição em relação à Ucrânia, o seu apoio à Síria, a sua relação estratégica com a China, a Rússia constitui um obstáculo objectivo à hegemonia do imperialismo. É isso que os EUA e os seus aliados consideram intolerável. É esta a questão de fundo subjacente à histeria anti-russa.



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