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22-12-2017

Este ano que termina devia ser um marco na história da Colômbia. O ano que se segue é determinante para o futuro imediato do povo colombiano

O futuro imediato na Colômbia

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BRUNO CARVALHO



Um punhado de camponeses desenterrou as armas que tinha escondidas e partiu para as montanhas do centro da Colômbia. Durante alguns anos, viram como o governo violava os acordos que prometiam o fim da violência sobre os trabalhadores agrícolas e a democratização de um país onde há poucos anos a classe trabalhadora havia assistido ao assassinato do seu candidato presidencial. Isto aconteceu há 53 anos mas podia ser a descrição dos nossos dias. Ou a narrativa de todos os dias desde que esses camponeses se levantaram em armas e se tornaram na mais importante guerrilha da América Latina.

Este ano que termina devia ser um marco na história da Colômbia. Pela primeira vez, as FARC-EP aceitaram desarmar-se militarmente a troco de um acordo que garantisse que mais nenhum camponês tenha de voltar a pegar em armas para se defender das agressões da oligarquia e do Estado. Todos os processos de paz tiveram como linha vermelha a participação legal na vida política do país e a justiça social. Entre as grandes conquistas da organização fundada por Manuel Marulanda Vélez está a presença de deputados e senadores seus depois das próximas eleições independentemente dos resultados que venha a ter, a legalização das FARC como partido político e a libertação, até ao momento, de uma parte dos presos políticos. Mas a mobilização social como garantia de que se efectivam as conquistas plasmadas nos acordos de paz é a garantia determinante para que o povo colombiano derrote, de vez, o carácter violento da oligarquia.

Tragicamente, só neste ano, já foram assassinados mais de cem mulheres e homens implicados na transformação social daquele país latino-americano. Ex-guerrilheiros, militantes de esquerda, sindicalistas, jornalistas, indígenas e camponeses fazem parte do cardápio de quem quer enterrar de vez o processo. No congresso de deputados e no senado, a geometria política traiu o espírito dos acordos ao construir uma Jurisdição Especial de Paz que deixará impune boa parte dos crimes executados a mando da oligarquia durante a guerra de mais de meio século. O ano que se segue é determinante para o futuro imediato do povo colombiano. Se por um lado, o novo partido FARC insistem na ideia de que só a luta de massas pode defender a paz e o cumprimento do que foi acordado, os alarmes estão acesos ante as eleições presidenciais, que curiosamente se realizam no dia em que oficialmente as FARC foram fundadas. A possibilidade de que ganhem candidatos opostos ao processo de paz não é menor. Que os movimentos sociais colombianos ganhem força e fôlego é fundamental para o que aí vem. Tanto mais que a América Latina vai ter em 2018 o ano das eleições presidenciais na Venezuela e no Brasil.

ARTIGO PUBLICADO EN ABRILABRIL.PT

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