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05-11-2017

Temos capacidade de produzir e temos recurso, agora só falta a capacidade de decidir realmente sobre o nosso

Eucaliptos no mar

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS


Biodiversidade e qualidade ou mono-cultivo e quantidade. É um falso dilema que se nos apresenta quando se quer justificar o empobrecimento do património comum e o enriquecimento de uns poucos.

   A Galiza tem no seu sector primário umhas capacidades produtivas excepcionais, o nosso clima e a nossa geografia e geologia, ademais de umha populaçom que leva séculos de conhecimento e tirando um rendimento deste médio. No caso do nosso mar a capacidade produtiva é ainda muito maior do que na terra. Dizer em qualquer sítio que um peixe ou marisco som procedentes da Galiza é sinónimo de qualidade.

   Vemos cada ano como os incêndios destruim grande parte do nosso património florestal, e ainda este mês passado, em só um dia, umha grande vaga de incêndios levou ademais por diante a vida de quatro pessoas. Nisto tem muito a ver a política florestal da Junta da Galiza que está desenhada para abastecer a ENCE de madeira barata. A expansom do eucalipto, agora coa substituiçom do E. globulus polo E. nitens, case nom tem limites.

   O problema do mono-cultivo vai muito mais alá da perda de biodiversidade florestal. Passar de umha fraga, a um cultivo (que nom floresta) de eucalipto e/ou pinheiro, implica a desapariçom da maior parte das espécies associadas a estes ecossistemas, tanto vegetais como animais. Esta ausência provoca que o mato baixo tenha menor capacidade de retençom de água, o que favorece os incêndios e a sua expansom... Mas isto nom ocorre por azar senom que é conseqüência dum desenho político colonial, tal como se fai em qualquer pais do terceiro mundo, tirar o máximo rendimento económico para as empresas da metrópole sem importar as conseqüências ocasionadas no pais colonizado.

   No caso do mar, isto nom ia ser diferente. Um pais normal, com um governo normal, tentaria melhorar a capacidade produtiva dos seus recursos primários, buscaria o desenvolvimento sustentável e a melhora das condiçons do território e da sua populaçom no presente e com futuro, dedicaria os seus recursos à investigaçom e melhora das espécies autóctones, das condiçons do médio marinho, e das trabalhadoras e trabalhadores que desenvolvem o seu trabalho nele. Mas este governo actua como umha delegaçom da metrópole que executa o mesmo modelo utilizado para a terra.

   Só vou falar aqui dos moluscos, e da “particular” evoluçom produtiva desde que há governo autonómico, e temos transferidas as competências em marisqueio. Desde a Conselharia do Mar sempre se fala de números absolutos, “maior produçom marisqueira”, mas isto agacha umha outra realidade e dados que mais alá de nom ser nada bons som muito preocupantes cara o futuro.

  Como é possível que aumentando a produçom marisqueira, o número de pessoas dedicados a esta actividade seja cada vez menor?. Há algo que nom quadra.

   Agora estám a vender a depuraçom das rias, mas 11 anos depois da obrigatoriedade da depuraçom (no resto do estado, sem a nossa produçom marisqueira, há mais de 11 anos que estava rematada), mas as conseqüências da falta de depuraçom nom desaparecem de repente. O deterioro dos bancos marisqueiros e da costa em geral precisa de actuaçons que nem se contemplam.

   A ausência dumha política de investigaçom e desenvolvimento cara às espécies autóctones, criando e/ou favorecendo a instalaçom de Hatcheries (centros para a produçom de semente), para a recuperaçom e semente de zonas degradadas e/ou prejudicadas pontualmente (chuvas, calor...), provocou que esta semente tenha que ser buscada fora da Galiza com grande risco por poder trazer “algo mais” que a própria espécie comprada. Um exemplo disto temo-lo na apariçom da última parasita a “Marteillia” que provocou a quase desapariçom do berberecho na ria de Arousa e continua a sua expansom por Galiza.

   Centros de investigaçom dependentes da Conselharia si os há, mas a preocupaçom nom foi a ameijoa babosa ou a fina, senom a japonesa. Durante anos dedicaram-se a produzir e regalar às Confrarias semente de ameijoa japonesa. Porque?, é esta espécie de maior qualidade que as autóctones?, nom. Tem um preço de mercado superior que permita melhorar os ingressos dos e das mariscadoras?, nom. A realidade é que a ameijoa japonesa é muito mais resistente que as espécies autóctones a médios degradados.

   É dizer, ante umha situaçom de degradaçom das zonas produtivas e perda de superfície dos bancos marisqueiros, a soluçom que a Conselharia do Mar aplicou a este problema, nom foi o da regeneraçom dos mesmos para recuperar a produçom das espécies autóctones, nom, foi a de introduzir umha espécie de fora, de pior qualidade e preço, mas resistente a meios degradados. A produçom desta espécie tivo um incremento brutal, enquanto as espécies próprias da Galiza caem em produçom cada ano até chegar ao ano 2016, onde a ameijoa japonesa é a primeira espécie de molusco capturada na Galiza por diante do berberecho, e com umha quantidade superior ás três seguintes espécies de ameijoas juntas. Da qualidade da ameijoa japonesa da ideia que na sua venda em muitos sítios nom se nomea polo seu nome, senom simplesmente como “ameijoa de cultivo”, como se o resto se fabricara.

   Em dados que se podem consultar na página web de pesca de Galicia www.pescadegalicia.gal, podemos ver como no ano 1997 (ano desde o que há dados nesta web) as capturas de ameijoa japonesa em toda Galiza fôrom de 258.198 Quilos (Q.), muito por detrás da ameijoa babosa nesse mesmo ano 2.109.211 Q. ou da ameijoa fina com 615.272 Q. Para chegar a 2016 com 2.618.160 Q. de ameijoa japonesa, 923.401 Q. de ameijoa babosa, e 379.555 Q. de ameijoa fina. Em 19 anos passou de nom chegar ao 10% da suma da produçom das duas espécies autóctones mais importantes a duplicar a destas duas juntas. E em relaçom aos preços, em 2016 e para as 5 principais lonxas do pais a. japonesa 9 €, a. babosa 16,5 € e a. fina 28 €. Os números som muito claros e indicam qual foi a política seguida e qual o resultado obtido. Assi é mais fácil compreender porque segue a baixar o número de pessoas que trabalha no mar, e fica em evidência a dura realidade.

   É por isso, que com muita razom, cada vez é mais comum no sector escoitar à gente falar desta espécie como o eucalipto do mar. Isto é mais umha mostra da gestom que a Junta da Galiza fai dos recursos do nosso pais. É mais umha prova de que é impossível produzir com qualidade, gerar riqueza, recuperar o meio, chegar a um desenvolvimento sustentável, sem ter nos capacidade de decidir sobre os nossos recursos.

   Temos capacidade de produzir e temos recurso, agora só falta a capacidade de decidir realmente sobre o nosso.   



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