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16-10-2017

A seguir deste conflito fundacional da expansão israelita vinheram outros, sempre justificados pola resistência dos palestinos a serem desalojados das suas terras

Brexit, jihadistas e independência 3

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HENRIQUE EGEA LAPINA


De novo a tratar o assunto do terrorismo integrista mussulmano. Nesta terceira entrega lembraremos, se quer superficialmente, a Guerra dos Seis Dias e as consequências que teve nas relações no Oriente próximo e com o resto do mundo, a longa sucessão de conflitos e os efeitos nas vítimas diretas e nos que se solidarizam com elas.  

Israel fai o trabalho sujo: A Guerra dos Seis Dias              

Numa análise deste conflito da cadeia Qatari de televisão e imprensa  al Jazeera  afrima-se que os resultados da guerra dos seis dias ainda têm efeito na realidade de Oriente Próximo actual. Saibamos (ou lembremos) algo do conflito. Para ver o documentário (em inglês) buscar nesta ligação http://www.aljazeera.com/programmes/specialseries/2017/05/war-june-1967-170529070920911.html ainda que pode ver-se noutros linques.              

A origem da Guerra de Junho, como a chamam os árabes, ou dos Seis Dias como a denominam os israelitas e “Ocidente” (a denominação que usamos é, de seu, reveladora), está na tensão provocada pola intervenção do exército de Israel no Sinai no 1956. A presença de capacetes azuis ao longo da fronteira entre Egito e Israel deu uma década de tensa calma. Neste tempo ambos os bandos aproveitaram para se armarem (tanques e caças, Mirage (franceses) para Israel, caças MIG (russos) para Egito e Síria).              

Em 1967, um bombardeamento dos Altos do Golã e o voo rasante sobre Damasco de caças israelitas, que abatem três MIG da defensa síria, vão inflamar a agitação e indignação popular nos países árabes no mês de abril. O vizinho indesejado e protegido de Ocidente converte-se num perigo real para os humilhados e ofendidos mussulmanos.              

A este incidente segue uma campanha jornalística de agitação dos cidadãos dos países árabes exigindo a aniquilação total de Israel. No mês de maio Egito consegue que a ONU retire as tropas de interposição e decreta o bloqueio económico do único porto israelita, na altura, situado no fundo do golfo de Aqaba. A tensão vai em aumento entre os dous bandos.            

Certos movimentos de tropas no Sinai darão a alerta ao governo sionista para preparar uma campanha “preventiva” contra os seus vizinhos árabes. O cinco de junho Israel lança um ataque aéreo maciço, sem declaração prévia de guerra, contra as bases aéreas egípcias, destruindo a maior parte dessa força ainda em terra (arredor de 400 aparelhos) e também as pistas de aterragem, ficando assim dono do ar.

A Jordânia, que tem a posse do Jerusalém oriental, ataca Israel com morteiros e artilharia. A superioridade aérea permite ao exército de Israel tomar a maior parte da Jerusalém jordana em 24 horas. Por mediação dos EUA Jordânia acorda um cessamento do fogo com Israel. Este é um outro momento de humilhação para os mussulmanos que perdem uma das cidades emblemáticas da sua cultura a mãos dos israelitas. Estes “recuperam a sua capital” histórica perdida e destruída em tempo do imperador Tito (70 d.c.) e da segunda diáspora hebraica.

Se a Sociedade de Nações acreditou no direito dos judeus sionistas, sancionado pola Bíblia e polo sangue dos inocentes mortos nos campos nazistas, para se apropriarem das terras de Palestina, a maquinária de guerra promovida também polas potências ocidentais assegurou nesta ação e nas futuras o implacável avanço do Exército de Defesa de Israel e a ocupação de territórios, que não lhes correspondiam nem nos acordos internacionais, com os assentamentos de colonos.


Uma sucessão dos conflitos              

A seguir deste conflito fundacional da expansão israelita vinheram outros, sempre justificados pola resistência dos palestinos a serem desalojados das suas terras tradicionais e pola malévola intenção dos estados vizinhos de limitar ou anular o poder de Israel de impor o terror na área.            

Certo que as condições foram mudando consideravelmente ao longo destes 70 anos. Chegou a Revolução Islamista de Irã, a União Soviética desapareceu, os EUA foram substituindo paulatinamente o papel do tândem R.U.-França (ainda que nunca totalmente), houve várias crises do petróleo... A opinião pública afixo-se a ver sofrer os palestinos que vivem amoreados num território minúsculo e com condições do terceiro mundo no entanto os israelitas desfrutam de rendas per capita superiores a muitos países ocidentais (37.000 dólares no 2016, 25.600 em Espanha no 2015). Mesmo se virou, mercê a uma propaganda convincente, para uma simpatia polas políticas de erradicação dos terroristas, mesmo que forem meninos de peito. Mesmo chegamos a justificar que a causa da miséria na que vivem os mussulmanos é resultado lógico da sua cultura e prática religiosa.              

Não pretendo fazer um percurso detalhado polos conflitos entre ocidente, com o seu campião das liberdades à fronte (Israel), e os mussulmanos. Isso seria um longo livro e aqui dispomos de espaço limitado e já vou por tres entregas... Apenas farei uma enumeração breve dos muitos conflitos destes dous mundos condenados a não se entender, mesmo que alguns merecessem um pouco mais de detalhe. Ei-los:   1. Fundação da OLP 2. Guerra de desgaste entre Egito e Israel  (1968 a 1970) 3. Guerra do Yom Quippur  (1973) 4. Guerra Civil Libanesa (1975-1990) 5. Guerra Irã-Iraque (1980-1988) 6. Primeira Intifada palestiniana (1987-1993) 7. 1ª Guerra do Golfo (1990-1991) em que EUA, R.U. E aliados dos Açores castigam o povo de Iraque por os seu líder invadir Kweit, sem alimentos, medicamentos e produtos de primeira necessidade. 8. Segunda Intifada em 2000 e acordos de paz violados por Israel mais uma vez 9.Assassinatos dos líderes palestianianos durante o 2001 por parte do exército de defesa israelita. 10. Guerra do Afeganistão (2001-hoje) 11. Morte em 2004 de Iasser Arafat (envenenado?) e acossado na Faixa de Gaza. No mesmo ano inicia-se a construção dum muro para separar os potenciais terroristas palestinianos dos bons cidadãos de Israel. 12. Retirada israelita em 2005 dos territórios de Líbano ocupados. 13. Guerra libano-israel ou guerra de julho virtualmente contra Hezbolá (2006) 14. Operação chumbo fundido 2008: Israel massacra a Franja de Gaza. 15. Segunda Guerra do Golfo, também chamada Guerra do Iraque, (2003-2011) que abriu a porta a uma ação de tipo islamista contra os antigos governantes laicos (baath) e ocupantes estrangeiros, germolo do futuro estado Islámico 16.As primaveras árabes (2010-2012) 17.A fundação do Estado Islámico (2014) por sunitas iraquianos no contexto da melhora dos direitos dos xiitas de Iraque no novo estado postbélico. 18. A guerra de Síria              

Nesta lista recolho os conflitos de maior envergadura nos territórios dos estados incumbidos polo reparto Sykes-Picot. Ainda ficariam múltiplas violências no Kurdistã turco, sírio e iraquiano,  em Somália, no Iemen, isurreções na Arábia Saudita tanto islamistas como democratas, períodos de guerra informal (terrorismo) de diversa índole em Egito, Israel, Líbano, Sudão... Os restos da guerra civil de Afeganistão e em Libia, virtualmente esquartejada pola “ajuda” ocidental.            

Dos dados da lista podemos deduzir que este território não viveu períodos pacíficos praticamente desde a Segunda Guerra Mundial. O sofrimento dos seus habitantes, o exílio e a fugida da violência, a violação dos direitos básicos (educação, alimentação, dignidade...) a morte física de familiares, a destruição dos bens, a perda de poder aquisitivo, a humilhação permanente por ver os estrangeiros a decidirem sobre os seus destinos quando as suas decisões resultam “erróneas” para os interesses económicos das potencias... todos estes são motivos mais que sobrados para o ressentimento contra Ocidente que se auto-proclama constantemente o campião da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.            

Certo que boa parte do padecido tem origem em ações diretas ou indiretas de governantes corruptos, grupos ideológicos ou religiosos contrários e muitas outras possibilidades mas muito do que acontece pode ser imputado, direta ou indiretamente, à política ocidental (estado-unidense, britânica e francesa principalmente) de passividade ou de apoio calculado para a defensa dos seus interesses económicos sem consideração das necessidades e direitos das persoas que sofrem os seus efeitos.


As verdadeiras vítimas do terror.              

Mas rara vez são estas vítimas as que exercem a violência nas nossas cidades, dentro das blindadas fronteiras europeias. Quando decidem atuar fam-o no seu contexto. Apunhalam, de pura desesperação, um ou dous transeuntes numa cidade de Israel, ou se “imolam” em nome do Islam com a esperança duma vida melhor no Além como lhes predicam os imames. Os mais habituais são os atentados contra fações contrárias dentro do contexto bélico, com frequência nas mesquitas.             De facto, se consultarmos fontes sobre vítimas do terrorismo de grupos ou indivíduos, não de estados que se servem da sua máquina de guerra oficial, podemos ver que as principais vítimas desta violência são os habitantes de países de Oriente Próximo e mais concretamente os habitantes de países “beneficiados” pola intervenção Ocidental em nome da democracia e da liberdade, ainda em brasas polas guerras imperialistas.            

Recomendo consultar o Anexo da Wikipedia sobre “atentados no 2017”, do que copio os actualizados a princípios de junho (no dia antes do antentado de Londres). Resulta eloquente o número de atentados, o número de vítimas mortais e não mortais e, sobre tudo, os locais afectados.  

                  Vítimas mortais      Atentadores mortos   Vítimas feridas  
Afganistán           764                           42                       1061
Siria                   600                            51                        618  
Irak
                    593                           25                         812  
Somalia               273                           27                        200


A seguir, nesta lista, aqueles outros países nos que o fracasso dos processos “democráticos” das “primaveras árabes” deixou um modelo autoritário que nega o acesso ao poder dos movimentos islamistas mais ou menos moderados. Que casualidade!              

Também é significativo que o número de vítimas mortais no Reino Unido ou na França são de longe muito menores do que os citados acima. Mais uma amostra que caracteriza a visão etnocéntrica da política mundial: EUA e Europa são o embigo do mundo e os seus cidadãos os únicos que realmente importam. Bom, também os israelitas que se valoram a razão de um por cada cinco palestinos!              

O retrato básico dos terroristas nas sociedades europeias é o dum jovem nascido ou criado no país de acolhida (R.Unido, França, por vezes Bélgica ou Alemanha, Espanha...) que se sente estrangeiro, marginado e estigmatizado pola sociedade de acolhida. Também se sente alheio à sociedade de origem onde prevalecem valores tradicionais e político-ideológicos com os que não conviveu e que, com frequência são idealizados ou mal-interpretados. Estas gerações novas, filhos de inmigrantes-refugiados económicos na opulenta Europa com esta carga de raiva íntima e profunda provocada pola sua situação persoal e atiçada polo trato recebido polos seus “irmãos” mussulmanos no mundo, são presa fácil de fanáticos religiosos ou, ainda pior, de predicadores fanatizadores que procuram desestabilizar, aterrorizar e promover a necessidade de mais controle, mais policia e mais barreiras ao movimento. Desconheço em aras de que fim concreto.

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