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26-06-2017

Os incendiários não precisarão de tirar bomba nenhuma, as bombas já estavam ali

Dresden aqui ao lado, calquera dia

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ALBERTE LAGO VILLAVERDE



Entre o 13 e o 15 de Fevereiro de 1945 a aviação dos Aliados bombardeou a cidade alemã de Dresden empregando arredor de 4.000 toneladas bombas, principalmente incendiárias. O bombardeio estava calculado para produzir uma tormenta de fogo que acabou por destruir 6,5 km2 da cidade. A cantidade de mortos foi de uns 25.000, a imensa maioria eram civis.

De compararmos co recente incêndio de Pedrógão Grande o primeiro que chama a atenção e o tamanho: 30.000 hectares. Isto são 300 km2 comparados cós 6.5 de Dresden. Num primeiro, momento as autoridades portuguesas atribuíram o incêndio a uma tormenta seca. Agora parece que se trata dum incêndio provocado, como tantos na Galiza.

Naturalmente que a cifra de mortos e feridos não se pode comparar, 62 mortos e mais de 150 feridos é pavoroso mas não é o mesmo. Não se pode comparar por que Dresden era uma cidade dum dos países mais povoados da Europa e Pedrógão Grande um concelho médio despovoado de Portugal, também como tantos na Galiza. Na Voz de Galicia do 20 de Junho, Lourenzo Fernández Prieto achegava uns dados que não vim recolhidos em nenhum outro médio: 14.000 habitantes no 1900, 8.000 no 1930 e 4.000 a dia de hoje, como tantos na Galiza, outra vez.

Mas a principal diferença é que, para conseguir este resultado, os incendiários não precisarão de tirar bomba nenhuma, as bombas já estavam ali.

Os principais expertos consultados atribuíram a catástrofe a duas causas: as altas temperaturas e poucas chuvas a consequência do câmbio climático por um lado e a falta de cuidados do monte que permite a acumulação de massa combustível por outra.

Depois de mais de cinquenta anos de nos dizer que o nosso sistema de exploração da terra está obsoleto e que há demasiada gente a viver do agro, de expulsar á população impedindo-lhe ganhar a vida com travas de todo tipo para converter a nossa terra num eucaliptal, fechando escolas e centros de saúde a ver se deixam de estorbar e marcham duma vez. E agora resulta que faz falta mais gente para cuidar do monte. Também é mala sorte, ho!

Até o de agora encher os montes duma espécie que aproveita o fogo para se expandir era um perigo nada mais que teórico, agora já não é teoria. E os que viveram os incêndios do 2005 hão acordar bem os gromos de eucalipto por todas partes, nos montes queimados. Até o de agora o argumento era que a zona com mais eucaliptos era a que menos incêndios tinha: a Marinha de Lugo. E até o de agora era certo, porque era a única zona da Galiza onde chovia regularmente todos os verãos. Mas co cambio climático mesmo na Marinha começa a haver secas, pronto não haverá na Galiza um sítio no que seja seguro plantar eucaliptos.

A herança do franquismo nas nossas cidades não se limita aos nomes de ruas e placas nas igrejas; há restos moito mais difíceis de borrar nos arrabaldes mal feitos, nas ruas escurecidas por armatostes de dez plantas etc. E não se vaia a pensar que estamos a falar de recunchos apartados. As medianeiras da Peregrina em Pontevedra ou o recorte de vários cubos da muralha para facilitar o tráfico em Lugo são exemplos perfeitos do urbanismo franquista. Um urbanismo que continuou durante mais de trinta anos após a morte de Franco até que a gente foi deixando pouco a pouco de comprá-lo, literal e figuradamente. E ainda não desapareceu de todo.

Pois bem, o equivalente do urbanismo franquista no agro é o monocultivo do eucalipto ao serviço duma empresa que emprega o país como fonte de matéria prima. Estabelecida num térreo roubado, coa política florestal da Galiza ao seu serviço. Os benefícios são para eles, as consequências —incluindo os gastos da extinção de lumes— as pagamos entre todos, aqui é em Portugal. Esse franquismo ainda segue vigente.

Até cando?


[26-06-2017 11:21] celerico comentou:

Aí falaches.Concordo absolutamente.

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