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23-06-2017

Na passada sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exibiu o seu funcionamento com assinalável esplendor

Fim do império

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HENRIQUE CUSTÓDIO



Na passada sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exibiu o seu funcionamento com assinalável esplendor.

Escolheu Miami como local, um pavilhão dos bombeiros como palco e uma multidão de cubanos antiCuba ululando aplausos no recinto. Cumprimentou a multidão, os bombeiros que «forneceram as instalações», os «heróis da Baía dos Porcos» presentes na primeira fila e multiplicou abundantemente as duas sinaléticas que sabe fazer – espetar o polegar e apontar o indicador.

Posto isto, anunciou o que se esperava: os EUA iam «anular» as relações com Cuba que a administração Obama havia formalizado – uma anulação «com efeito imediato», garantiu ele, sempre tremendista e em posição de assinatura.

Deste efectivo entremez assinale-se a saudação de Trump aos «heróis da Baía dos Porcos», pomposamente instalados na primeira fila. Supostamente, pertencem ao bando de mercenários e energúmenos com que os EUA invadiram Cuba em 1961, sendo vencidos e escorraçados em toda a linha pelas forças revolucionárias cubanas. Um presidente norte-americano chamar-lhes «heróis» 56 anos depois de enxotados pelas armas, eis um feito que nem presidentes com o défice cultural e revanchismo de Reagan ou George Bush ousaram praticar.

De qualquer modo, as saídas de sendeiro que caracterizam os actos presidenciais de Trump também aqui se revelaram, pois nem a embaixada dos EUA em Cuba fechou ou vai fechar, nem os voos norte-americanos de e para Havana terminaram. O costume.

Deste homem, que é presidente da maior potência mundial, basta dizer que foi o inventor da «pós-verdade» ou seja, a mentira como instrumento legítimo da vida política, decorrendo, de enxurrada, o desprestígio generalizado do exercício político e governamental em qualquer circunstância ou sentido. Na escala de valores que instituiu, chamar-lhe palhaço, fascista, imbecil ou hedonista é simples «matéria de propaganda» dos «seus inimigos».

Mas a criatura tem instinto de preservação, daí esta ofensiva contra Cuba no momento em que está encurralado por um inquérito judicial a investigar a sua alegada obstrução à Justiça no «caso russo». Tal e qual o presidente Clinton fez quando estava a ser escrutinado por obstrução à Justiça no caso Monica Levinski, apenas com a diferença de alvo: Clinton bombardeou a Jugoslávia e Trump ataca as relações com Cuba.

Estamos perante um homem perigoso na sua errância, dado o poder de que dispõe, sendo frágil e inquietante a esperança de que funcionem os famosos «contra-poderes» nos EUA para travar medidas demenciais de Trump.

Uma coisa é certa: Donald Trump, na sua arrogância flatulenta, consubstancia não apenas o beco sem saída da exploração capitalista, como prenuncia o fim do império norte-americano.

[Artigo publicado en Avante!]


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