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12-06-2017

O terrorismo sempre deu armas à reacção mesmo se não foi promovido e organizado

O grande embuste

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ALBANO NUNES



A «guerra ao terrorismo» marca de tal modo a agenda do imperialismo que essa foi a grande e única matéria de acordo público nos seus mais recentes conciliábulos, e o atentado de Manchester, invocado para justificar mais medidas securitárias e militaristas (como o atentado de Kabul poucos dias depois para justificar o reforço militar dos EUA no Afeganistão) aí está a confirmar a quem serve este tipo de acções criminosas. O terrorismo sempre deu armas à reacção mesmo se não foi promovido e organizado, como frequentemente se veio a comprovar, pela própria reacção e serviços secretos ao seu serviço.

A questão porém vai muito para além de saber que mão está por detrás de atentados como o de Manchester, acerca do qual aliás muito está por esclarecer. Não esqueçamos que o pior de todos os terrorismos é o terrorismo de Estado e que se há estados comprometidos até ao pescoço com a ideologia e a prática do terrorismo eles são a Arábia Saudita e Israel. Ora foi precisamente por aqui que o presidente dos EUA iniciou o seu primeiro périplo no estrangeiro e foi aqui que foram produzidas as mais altissonantes declarações sobre a «guerra ao terrorismo», sintomaticamente acompanhadas por colossais negócios armamentistas e pela ameaça de intensificar as operações de ingerência e agressão contra o Irão, a Síria, o Iémen e tudo quanto possa ensombrar a hegemonia do imperialismo norte-americano na região. Foi com tais feitos na bagagem que Trump chegou a Bruxelas para a reunião da NATO e à Sicília para cimeira do G7. Feitos que tanto quanto se sabe tiveram a benção dos aliados dos EUA, também eles particularmente empenhados na «guerra ao terrorismo», de tal modo que essa acabou por ser a única matéria em que se formalizou acordo explícito.

De facto, as divergências e contradições inter-imperialistas revelaram-se com uma nitidez pouco habitual, tornando-se ainda mais azedas em declarações ulteriores, nomeadamente da parte da Alemanha. Declarações que têm a marca de uma campanha eleitoral já em curso mas que exprimem sobretudo as ambições próprias da potência hegemónica da União Europeia, e no quadro de uma manifesta crise da integração capitalista que a classe dominante procura transformar em «oportunidade» para o salto federalista que ambiciona, agora a coberto do slogan lançado por Merkel de que «a Europa tem de tomar o seu destino nas próprias mãos». As contradições inter-imperialistas são realmente sérias e tendem a agudizar-se com o aprofundamento da crise estrutural do sistema e com a luta, inerente à própria natureza do capitalismo, para abocanhar a maior fatia possível da mais-valia criada pelos trabalhadores de todo o mundo.

É assim que a corrida aos armamentos e a deriva securitária anti-democrática justificadas pela «guerra ao terrorismo» avultam como principais elementos de articulação de classe na luta do imperialismo contra o seu inimigo principal, que são os trabalhadores e os povos de todo o mundo e que, pelos caminhos mais diversos, lutam para se libertar das cadeias de exploração e opressão capitalista e construir o seu próprio futuro.


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