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05-05-2017

É preciso estudar em cada ria e cada caso as acçons a desenvolver, mas tem que haver reivindicaçom e pressom política para o fazer

O saneamento é apenas o primeiro passo

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



No ano 2.008 publicava-se no B.O.E. A relaçom de zonas de produçom de moluscos do litoral espanhol (classificaçom zonas A, B e C)*, de novo publica-se no ano 2.013 esta mesma relaçom. Há que ter em conta que no ano 2.008 de 17 zonas C que havia em todo o estado 1 estava em Cantábria 3 em Euskal Herria e 13 na Galiza, 13 de 17, ademais essas 13 zonas som de muita mais produçom que as outras três. 5 anos depois em 2.013 a situaçom em Cantábria é a mesma, em Euskal Herria baixa a 2 e na Galiza mantem-se em 13, mas há que engadir umha zona de peche e duas zonas sem classificar. A todo isto haveria que engadir que em todo o Mediterráneo e costa atlântica espanhola a maior parte som zonas A e algumha B. Todos estes dados confirmam a situaçom que como em outros âmbitos ou sectores mostram a situaçom da Galiza, há quem di que nom somos umha colónia, mas nom conheço outro jeito de chamar isto.

Estamos já em 2.017, todas as cidades da Galiza já tenhem “saneamento” para finais de maio entrará em funcionamento a totalidade do “saneamento” da ria de Ferrol, e é possível que proximamente poda desaparecer algumha zona C da ria. Quere isto dizer que já esta o problema solucionado?, rematou o problema?. Quando se fala da situaçom das rias galegas há que ter claro que os problemas som os mesmos em todas, nalgumhas mais grave, mas som os mesmos problemas, é verdade que a ria de Ferrol quantitativamente é a que pior esta, mas nom qualitativamente. Temos de evitar os localismos e ter umha visom geral porque é um problema de pais. Vou tratar de desenvolver o comentado neste parágrafo.

Porque saneamento entre aspas?. Nengumha cidade da Galiza tem saneamento com separativas (isto é, águas fecais a depurar e pluviais nom, ainda que se recolheram os primeiros minutos de chuva), em todas há sistema unitário (pluviais e fecais vam a depurar). Isto provoca dous problemas graves, por umha banda sobrecarregasse a depuradora, depurando água de chuva (limpa) e provocando um consumo maior de energia em bombeio e funcionamento; por outra banda se há chuvas abundantes, o sistema sobre-passa a sua capacidade e vertem-se águas fecais ao mar. Neste caso podemos falar de saneamento?, é um sistema caro e ineficaz. O objectivo tem que ser um saneamento com separativas, nesse caso si poderíamos falar de saneamento integral. De momento, o que temos é um sistema que reduze os vertidos mas com um alto preço e nom elimina o problema dos vertidos. Há que ter em conta ademais que as rias precisam da água de chuva, o ecossistema das rias vê-se alterado se lhe furtamos a água doce da chuva. O caminho é o saneamento integral que só é possível com separativas, longo caminho a percorrer, mas inescusável.

Está o problema das rias solucionado com o saneamento?. Ainda que todos os núcleos de povoaçom da Galiza tiveram um sistema de saneamento integral com vertidos zero de fecais, teríamos dado o primeiro passo, evitar que cheguem ao mar vertidos de fecais, detergentes, azeites, matéria orgânica... Mas, do mesmo jeito que a umha pessoa ferida o primeiro que lhe se fai é cortar a hemorragia, e depois analisar e reparar o resto danado. No caso da situaçom do nosso litoral e em particular das rias o procedimento devera ser o mesmo. Ainda que tivéramos um saneamento integral em todas as rias, o cheiro das milhares de toneladas de matéria orgânica em descomposiçom acumulado nelas nom vai desaparecer, tardará anos, é um processo de descomposiçom anaeróbia, lento e que dificulta a vida. Nom se vai evaporar, há que o quitar.

Na maior parte dos casos, aos vertidos sem freio de águas fecais, agrárias e industriais, há que somar os recheios. Estes recheios afectaram e afectam nom só pola superfície ocupada, senom também pola modificaçom das correntes marinhas e nalguns casos a case total anulaçom das mesmas. O efeito combinado de vertidos mais recheios, estragou grande parte do interior das rias, pola acumulaçom de lixo de toda classe, especialmente matéria orgânica. A alteraçom e diminuiçom dos fundos provou a modificaçom e/ou desapariçom de muitas espécies, alterou a paisagem, converteu algumhas zonas em esterqueiras e fixo desaparecer bancos marisqueiros. Perdeu-se espaço marinho, qualidade ambiental e biodiversidade. Empobreceu-se o meio e provocou e provoca grandes perdas económicas.

Está o problema solucionado?, pois claro que nom, cortamos a hemorragia (quase) mas temos de reparar o dano. Nom é aceitável conformar-nos com o saneamento, nem o é para o pais nem para nos como povo. O dano tem que ser reparado, o tratamento terá que ser ajeitado a cada situaçom, mas é hora de começar. Há já anos que na Corunha há um forte movimento de reivindicaçom de dragados na ria do Burgo, isso obrigou a administraçom a planificar e orçamentar, ainda que nom a executar. Desde o nacionalismo temos a obriga de o fazer, porque ou o fazemos ou nom o fai ninguém, e como sempre, e neste caso literalmente, botaram areia por cima para tapar a merda que há debaixo.

É preciso estudar em cada ria e cada caso as acçons a desenvolver, mas tem que haver reivindicaçom e pressom política para o fazer. Isto quere dizer fazer propostas e explicar, nom podemos cair no tacticismo e limitar-nos à denuncia é um caminho de curto percorrido. Há que fazer acçom positiva, para que se compreenda e assumam as propostas.

Só é possível a recuperaçom do meio, a saude e a economia se acometemos com seriedade a regeneraçom das rias, é dizer a recuperaçom do meio marinho ao estado mais próximo possível ao originário. A resposta vai ser sempre a mesma, nom é possível, é muito caro, já está saneado. Mas é possível, é umha inversom muito rendível e nom está realmente saneado até que esteja regenerado.


*zonas A, B, C, classificaçom em relaçom à contaminaçom microbiológica, E. Coli/100mililitros de vianda e líquido intervalvar.

  • Zona A, de 0 a 230, pode-se consumir o marisco
  • Zona B, de 230 a 4.600, é preciso que o marisco passe por depuradora para poder ser consumido
  • Zona C, de 4.600 a 46.000, só apto para conserva ou reinstalaçom numha zona A ou B durante um período de 2 meses mínimo.
  • Peche, mais de 46.000, só há umha zona de peche em todo o estado. As duas sem classificar, o som porque também teriam que ser peche. As três zonas estám na ria de Ferrol.

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