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21-02-2017

Estamos perante do que se pode definir como um sector económico com um claro caráter de dependência colonial

Quem, como e quanto nos estão a roubar no sector lácteo

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MANUEL DA CAL VÁZQUEZ



Temos reiterado até a saciedade que Galiza é a primeira potência produtora de leite do Estado espanhol. A produção galega supõe aproximadamente entre o 38 e o 39 por cento do total produzido no Estado e mais de 55 por cento das granjas lácteas assentam-se no território da Galiza.

Segundo amostram os dados oficiais do Ministerio de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente do reino de Espanha subministrados no Informe de Declaraciones Obligatorias del Sector de Vacuno de Leche, a produção anual de leite na Galiza no ano 2015, ano no que se acentuo a grande crise que ainda hoje padece o sector, foi aproximadamente de uns 2 mil 600 milhões de quilos de leite, que vêm a equivaler a uns 2 mil 680 milhões de litros.

Do total produzido na Galiza aproximadamente o 80% é transformado e comercializado por indústrias de capital forâneo, isso quer dizer que, de 2 mil 680 milhões de litros produzidos na nossa terra, 2 mil 140 milhões de litros ficam em mãos de empresas de fora da Galiza.

A empresa que mais leite recolhe na Galiza é LACTALIS, multinacional francesa, a segunda em volume de recolhida é Leche CELTA de capital português e a terceira é a Corporación Alimentaria Peñasanta, SA (CAPSA) de origem asturiana. Entre elas recolhem, elaboram e comercializam aproximadamente o 40 por cento de todo o leite que produzimos na Galiza. Segundo esses mesmos dados oficiais outro 33% do leite produzido no 2015 sai da Galiza sem transformar.

Também é de sobra conhecido que o preço médio pago pelas indústrias que operam na Galiza por cada litro de leite que lhes compram ao setor produtor é o mais baixo de todo o Estado espanhol e dos mais baixos da UE.

O preço médio recebido pelas granjas galegas durante o ano da crise de 2015 foi de 0,288 €/l, porém o preço médio pago no Estado espanhol chegou até os 0,310 €/l, o que supõe um diferencial de -0,022€. Neste mesmo período o preço médio na UE, segundo o Observatório Europeu do Mercado Lácteo, situou-se nos 0,3067€/l.

De acordo com estes dados o importe total ingressado pelas granjas galegas, nesse ano, foi de uns 772 milhões de euros, mas se se tiver cobrado o leite de acordo com o preço médio do Estado espanhol o importe final ascenderia a 831 milhões de euros.

Isso implica que as granjas da Galiza deixaram de ingressar uns 59 milhões de euros. Partindo de que o 80% do leite galego está monopolizado por indústrias de fora, isso quer dizer que se lhe estão a furtar à economia galega uns 47 milhões de euros.

Mesmo no caso de lhe aplicar o preço médio europeu à produção de 2015 os ingressos totais ascenderiam a 822 milhões de euros, e nesse o caso as empresas de fora seguiriam a se apropriar duns 40 milhões de euros dos 50 milhões que a maiores teriam de ser arrecadados pelas granjas lácteas galegas.

Durante o ano que vem de rematar, 2016, a situação reproduziu-se, com pequenas variações, a respeito do ano que vimos de analisar, no que tem ver com cada um dos itens avaliados. Assim nestes dois últimos anos o setor produtor galego deixou de ingressar aproximadamente uns 115 milhões de euros, e a economia galega no seu conjunto, somente em conceito de ingressos diretos por venda de leite liquido sem transformar foi espoliada por volta de 90 milhões de euros.

Quando menos três conclusões se podem tirar do dito até aqui. A primeira; fica claro que Galiza, no caso do sector lácteo, assim como em muitos outros, é utilizada como fonte subministradora de matéria prima barata. Uma parte nada insignificante do que produzimos, o 33%, é tirado para fora da Galiza sem nenhum tipo de transformação, e de outro 47% beneficiam empresas alheias a Galiza ficando com o valor acrescentado que se gera a partir do nosso leite.

Uma segunda conclusão, que deriva da anterior, é que Galiza carece de um tecido industrial próprio, suficientemente dimensionado capaz de recolher, transformar e comercializar a maior parte do nosso leite. A reivindicação, tradicionalmente defendida pelo nacionalismo galego, de Galiza se dotar de um grupo empresarial assenta nesta verificação. A partir desta constatação levantam-se algumas questões tales como: De termos um grupo empresarial galego, isso seria garantia de o sector produtor cobrar melhores preços? e, no caso da resposta ser negativa, a seguinte questão a respostar é: Seria indiferente que o excedente expropriado ao sector produtor ficara em mãos de um grupo empresarial galego ou que segue-se, como até agora, servindo para engordar o capital privado estrangeiro? Em tudo caso seria determinante a forma que adotara esse grupo industrial, se exclusivamente for de capital privado, coisa que não se vislumbra; somente de capital público, coisa que também não parece nestes momentos fatível; ou se adoptar uma fórmula mista de capital privado, com participação das cooperativas galegas, e participação de capital público, que seria a fórmula mais desejável. Por desgracia para o sector lácteo galego, com o governo atual do PP, nenhuma destas opções parece possível.

Mas não deveria ser indiferente, para a defesa dos interesses do sector produtor, que na composição do capital social do demandado grupo empresarial lácteo galego este puder estar representado, quando menos, pelo mundo cooperativo.

E por último um terceiro assunto que se levanta, do até aqui analisado, tem a ver com o diferencial negativo pago pelo litro de leite na Galiza a respeito do que se paga de média no Estado espanhol. Esta situação põe de manifesto, entre outras coisas, a falta total de relações interprofissisonais entre o sector produtor e o industrial, assim como o nulo interesse da administração galega por regularizar estas relações. Perante deste panorama o poder das indústrias é ilimitado, contam com total impunidade para impor as suas condições perante um setor produtor absolutamente desprotegido e numa clara situação de desequilíbrio, tal como já o manifestava, no ano 2010, o informe do Grupo de Alto Nível sobre o leite constituído no seio da UE com ocasião da crise láctea do ano 2009. Algo que a dia de hoje não tem mudado, quando menos na Galiza, como prova a permanência deste diferencial negativo que padece o sector produtor galego.

Pode-se logo finalizar concluindo que, tendo de conta as características que se conjugam neste sector (fornecedor de matéria prima barata, falta de tecido industrial próprio e autocentrado, essa falta é ocupada por indústrias de enclave e extrativas, e para rematar falta de um poder político com vontade de exercer a defensa dos interesses próprios), estamos perante do que se pode definir como um sector económico com um claro caráter de dependência colonial.


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