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05-09-2016

Em apenas 100 anos, Galiza passou de ter umha economia onde o sector primário representava mais do 80% a menos do 5%

Soberania alimentar, muito mais que produzir alimentos

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



Hoje estamos na época da economia globalizada. Em qualquer sitio onde haja venda de comestíveis, do mais pequeno ao mais grande, podemos atopar alimentos de todo o mundo. Kiwis de Nova Zelândia, Laranjas de Israel, judias de Marrocos, conservas feitas em ilhas do pacífico... Nada escapa às garras do capitalismo. Até os cereais cotizam em bolsa e joga-se com os seus preços com o único objectivo de gerar riqueza aos especuladores, nom para os produtores.

A Galiza nom é alheia a este mercado mundial de mercadorias para maior beneficio das multinacionais e submissom das economias, direitos e garantias alimentares dos povos. Há vários aspectos desde os que tratar isto, mais como é normal estám interrelacionados.

Em apenas 100 anos, Galiza passou de ter umha economia onde o sector primário representava mais do 80% a menos do 5%. Nisto, a entrada em 1986 na UE acelerou o processo de desmantelamento do nosso sector primário, a maior parte das ajudas comunitárias para a agricultura, gaderia, pesca ou marisqueio foram para a destruiçom. Dinheiro para deixar de produzir. Dinheiro para a aqui-cultura, a lei de aqui-cultura que os galegos e galegas conseguimos tirar abaixo (voltaram, se lhes deixamos), foi um exemplo claro disto, a aqui-cultura sempre por diante do marisqueio, dinheiro para as multinacionais e nom para a economia produtiva. Dinheiro para desmantelar barcos, cada vez menos barcos galegos em menos sítios e menos marinheiros galegos no mar, hoje entra mais peixe por terra que por mar. Dinheiro para deixar de produzir leite, é a soluçom que oferece a UE o governo espanhol e a Junta aos baixos preços do leite que nom chegam nem para pagar o custo de produçom, mas segue a entrar leite franzes. Dinheiro em geral para rematar com competidores e/ou sectores que saem fora do desenho económico global no que estamos inseridos. Temos capacidade sobrada para produzir, mas nom podemos, hoje dependemos do exterior para nos alimentar. Renunciar ao sector primário nom é sintoma de modernizaçom, como sempre nos vendem (os paises desenvolvidos nom renunciam a ele), é sintoma de colonizaçom.

Entom, esta produçom e comercio globalizado de alimentos é mais barato?. A produçom em massa de alimentos, nom só tem um grande custo ambiental (obrigatoriedade do uso de pesticidas e ervicidas, alteraçom de solos, meios naturais, flora e fauna...). Também tem um grande custo energético para produzir e transportar, já sem entrar a avaliar as situaçons que provoca em milhons de pessoas do terceiro mundo despossuídos das suas terras ou submetidos a condiçons de quase escravitude. O controlo sobre o que se produze, é possível, mas é muito complicado, quando nom impossível, se vem de fora. O peixe e marisco que aqui se captura é controlado pola conselharia do mar antes de chegar ao mercado, o que vem de fora só é controlado por comercio, onde as condiçons som muito menos exigentes.

Nom tem a mesma qualidade, tanto nutricional como de sabor, um produto fresco recolhido na maduraçom ou no momento justo, e que passe por um processo de transporte curto no tempo e no espaço, que aquele que madura em câmaras frigoríficas, passa longas temporadas de armazenamento e/ou transporte. Ademais da qualidade há um outro factor a ter em conta, ter um Kiwi de Nova Zelândia na nossa mesa significa ter na atmosfera umha quantidade desnecessária de CO2 que nom existe se esse Kiwi é produzido aqui.

A soberania alimentar polo tanto vai muito mais alá da simples produçom de alimentos na terra e no mar. Garante o trabalho e a capacidade económica de, ainda hoje, grandes sectores da populaçom, e ademais a fixa em zonas que na actualidade estám a se despovoar, recuperando a economia e a viabilidade para comarcas inteiras e gente nova que tenha a opçom de poder trabalhar na sua terra. Produzir nós e desenhar nós o desenvolvimento do sector primário, permite reduzir ao mínimo a dependência exterior na alimentaçom e fugir do controlo das multinacionais. Ademais de nos alimentar melhor, reduzir o consumo energético e nom contribuir à destruiçom do meio natural em amplas zonas do planeta.

Nom é um conto para nenos, é realidade, temos a capacidade e temos de a usar. Nom podemos ter soberania para decidir se nom a temos para produzir, se temos a economia “seqüestrada” nom temos capacidade de decisom. E  nós como povo podemos fazer muito mais do que pensamos. Comprar é como votar, quando eu voto escolho quem governa, quando eu compro escolho quem produze. Comprar produtos da nossa terra é ajudar à melhora da nossa economia, a recuperar a nossa capacidade produtiva, a melhorar a qualidade do meio natural e a nos alimentar melhor com alimentos de mais qualidade.

O 25 de Setembro o nacionalismo tem que entrar no parlamento galego para seguir existindo como povo. E a nossa alimentaçom é como a nossa língua, temos de a usar todos os dias para permanecer vivos, para que permaneça viva.


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[06-09-2016 08:30] Manuel comentou:

tes toda a razón Joam, e debemos pedir que teñan produtos galegos na oferta. O que non se demanda non se vende.

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