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05-03-2016

Só queremos viver do mar, viver com dignidade do nosso trabalho, que nos deixem pescar e mariscar

E o mar chegou até Compostela

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



  O passado 27 de Fevereiro o mar estivo em Compostela, nem frio, nem chuva nem neve, e menos ainda a conselheira, anunciando três dias antes a retirada da lei de aqui-cultura. Ali estávamos todos e todas, defendendo o direito a poder viver do nosso trabalho com dignidade.

   Mas nom foi por ir ver o apóstolo, nem foi de cortesia, era mais um passo, e nom o derradeiro na defesa dos nossos direitos. Como marinheiros, redeiras, bateeiros, mariscadoras... Como galegos e galegas que nom estamos dispostos a renunciar a um meio de vida que vai mais alá da memória escrita e que fai parte da nossa identidade colectiva como naçom.

   Pensavam os do PP que com a retirada da lei de aqui-cultura iam parar um cabreio colectivo que começou o 1 de Janeiro de 1986 com a entrada do estado espanhol na UE, e que foi trabalhado a consciência e sem pausa por um estado e um governo títere da Junta da Galiza. A desfeita de todo um sector, de todo um meio de vida e de relaçom e compreensom do entorno.

  Dixeram-nos que havia que modernizar, que a forma em que trabalhamos era antiquada, pouco efectiva, e ademais que o de trabalhar no mar e no campo era cousa antiga e de pobres, havia que se modernizar e abandonar essas actividades. O que nom nos contaram, foi que nengum pais que se tenha como tal, por muito desenvolvido que seja, abandona a produçom primária, é o oposto, os países mais desenvolvidos defendem e melhoram os sectores primários. Contárom-nos contos de modernizaçom e melhora, mas nom nos contaram porque de verdade desfaziam os nossos sectores produtivos.

   Se de verdade querem modernizar, porque nom trabalham na catalogaçom , paliaçom e prevençom das enfermidades das mariscadoras?. Porque nom permitem aumentar os cavalos de potencia dos motores das embarcaçons de pesca e marisqueio?. Porque nom dedicam dinheiro na investigaçom e no apoio real à pesca e marisqueio?. Porque apenas há Melhoras nas condiçons de seguridade e habitabilidade dos barcos?. Porque nom depuram de umha vez às rias?, temos mais do 90% das zonas C de todo o estado, as mais contaminadas apesar de ser as mais produtivas. Porque em toda Galiza nom há umha Hatchery que produza semente para repovoar os bancos marisqueiros e que permita manter as povoaçons de espécies autóctones de moluscos? Porque as embarcaç0ns artesanais estám submetidos a quotas igual que a pesca industrial...

   E durante estes anos que melhoras e avanços tivemos?. Chegou dinheiro de Europa para fazer melhoras e desenvolver o sector, mas pouco se gastou em isso. Umha grande parte das partidas de dinheiro foi para o despeze de barcos, pouca construçom nova, mas muita destruiçom, em 1986 Galiza era a terceira potencia pesqueira mundial, hoje apenas somos a sombra do que éramos e já nom estamos no “top ten” desde há muito. No marisqueio apenas há na actualidade um 20% da quantidade de pessoas que trabalhavam em 1986 e os bancos marisqueiros estám cada vez pior polo deterioro ambiental. Cada vez que se negocia um acordo ou convénio pesqueiro voltam mais barcos a terra e marinheiros ao paro.

   Mas todo este processo sofre umha aceleraçom desde que Feijoo chegou à Junta da Galiza. A Junta, nom só nom defende ao sector, senom que trabalha firmemente com Bruxelas na sua destruiçom. Quando houvo problemas com as conservas de Mexilhom a Junta rapidamente prestou ajuda, mas a ANFACO, e há que lembrar que na entrada masiva de “chorito” na Galiza tem muito que dizer altos cargos da Conselharia do Mar e do PP. Quando a UE decide eliminar as redes de deriva e incluem o jeito, quedaram a vê-las vir, tivo que ser o BNG através de Ana Miranda quem acompanhara aos marinheiros e levara ao parlamento europeu uns aparelhos de jeito para que este ficara excluído da proibiçom geral das artes de deriva. Os marinheiros da volanta soubérom o ano passado também do firme apoio da Conselharia. Os do cerco submetidos a umha quota injusta e miserável que nom chega nem para mal viver e que acampárom mais de três meses diante da Junta nom tivérom nem sequer umha soa visita da conselheira ou do presidente (aparte por suposto de todo tipo de jogadas sujas), muito menos por suposto formo defendidos, o governo galego alineou-se firmemente com o governo de Espanha para manter ao cerco galego com umhas quotas de miséria.

   Cada vez que se negociam em Europa os TAC's mais gente a casa, como é possível que Galiza nom este reconhecida em Europa como zona dependente da pesca?. Isto permitiria-nos ter representaçom própria nas negociaçons e aceder a melhores condiçons e judas. Pois é muito fácil, Espanha nom quere.

   E agora para rematar a lei de aqui-cultura, lei defendida com muita intensidade na voz de Galicia. Os que estamos em contra de ela é porque somos uns retrógrados, de novo o mesmo conto, nom nos queremos modernizar, somos primitivos e ademais falamos galego, alguns dos colunistas falaram de “oportunidade perdida”, e incluso de retrocesso na modernizaçom do sector de nom aplicar a lei. Mas realmente a lei é a aplicaçom no nosso mar das directrizes comunitárias da última política comum pesqueira. O Governo do PP é aluno avantajado.

   Mas, se fomos a Compostela foi porque vimos em esta lei a guinda final a este longo processo. A posta da nossa costa, da nossa capacidade produtiva, da sabedoria e a força de trabalho de geraçons de galegos e galegas a disposiçom das multinacionais, para esquilmar e degradar os nossos recursos e empobrecer-nos a todos e todas económica e ambientalmente. Nom estamos dispostos a regalar os nossos recursos, a ser empregados de multinacionais da produçom intensiva de espécies a maior parte alóctones ao mesmo tempo que muita da nossa vizinhança vai ao paro. A deixar que os espaços naturais protegidos se incem de piscifactorias. A ver como o marisco e peixe se degradam e perdemos espaços produtivos pola poluiçom criada polas gaiolas e granjas de peixe alimentados com pensos e cargados de fármacos que depois rematam no meio marinho. Nom queremos ser os empregados de multinacionais que dentro de uns anos quando esquilmem os nossos recursos e consumam as ajudas comunitárias, marchem de aqui deixando um deserto produtivo e um meio marinho poluído. Nom estamos contra a aqui-cultura, mas esta tem que se desenvolver com a participaçom do sector, tem que ser compatível.

    Só queremos viver do mar, viver com dignidade do nosso trabalho, que nos deixem pescar e mariscar, algo que quem tem os olhos em Madrid nom é capaz de ver.


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Nota da Fundación Bautista Álvarez, editora do dixital Terra e Tempo
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