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17-11-2013

Hoje temos que tratar do setor económico do turismo e do pejo que sentem os galegos de mostrarem o que são

Vergonha

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XAN CARLOS FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ



Está na moda esta palavra. Mas, não vamos a nos referir a leis educativas espanholas, acordãos do caso buque Prestige ou reforma do sistema das apossentações. Hoje temos que tratar do setor económico do turismo e do pejo que sentem os galegos de mostrarem o que são.

Ourense é conhecida por todos como sendo a Capital do Minho. Mas é uma Capital muito própria e com características que só aquí podemos encontrar. A riqueza da Auria, como é conhecida por muitos, não reside apenas no seu vasto património arquitéctónico, nem no seu centro histórico, nem nos seus afamados vinhos da região. A riqueza de Ourense reside, acima de tudo, nas pessoas e na sua lingua e cultura que puidera abrirse a cada visitante que percorra as suas ruas plenas de história e encanto. Os ourensãs são o coração da própia cidade e também do Distrito.

Não queremos avançar em descrições paisajísticas ou geográficas porque isto não é, nem tem pretenções de ser um panfleto turístico, nem ser o prefácio a um guia útil e diferente para organizar visitas ou conduzir os visitantes. Essa "riqueza", patente em todo o lado, é ignorada e despreçada pelos própios habitantes da cidade e distrito. São os ourensãs os mais acomplexados e doentes de auto-aborrecemento de entre os galegos. Os dados falam e provam estas teses. A afluência de visitantes e turistas desçe em Ourense de forma alarmante, mentras em todos os distritos peninsulares cresce, na medida que tiram proveito da situação de crise económica e seduzem mais turismo estrangeiro pelo mais alto poder adquisitivo dos foráneos e, logicamente, pelos preços mais baixos dos serviços turísticos aquí prestados. A recente notícia do fecho (embora temporal) de uma importante cadeia hoteleira termal vem a exemplificar a ruína da economia turística deste território.

Ourense, e a súa sociedade dirigente, não é capaz de despertar curiosidade nem interesse nos visitantes. Os promotores, empresários hostaleiros e demais classe dirigente são incompentes e incapazes de chamar a atenção dos curiosos, estudosos, descobridores, amadores ou saudosos das origens, paisagens, culturas e identidades diferentes. Eis uma característica de Ourense; este lugar é cultura no mais amplo senso do conceito. E como é creatividade também é cultura própia, diferente, auténtica. Todas as suas paisagens são cultura ambiental. Todas as suas construções arquitectónicas são cultura humana. E, sobre tudo, todas as suas linguagens e sotaques são identidade. O idioma é fundamental na construção da identidade ourensã e galega. E, como é bem conhecido, os ourensãs sentem vergonha do seu idioma. A perda de falantes e utentes no idioma galego também tem umas singularidades neste distrito e cidade, que este título não pretende refletir por ser de analise sociolinguística demorada e matéria particular de outros estudos. Mas, a modo de exemplo, serva um pequenino inquérito que faz um jornal de edição local todos os verões nos que entrevista cada dia a um turista e pergunta pelo que mais gostam. Uma percentagem muito maioritaria deles revelam que do que mais gostam é das palavras dos rótulos em comércios, nas ementas dos restaurantes, nos sinais ou cartolas de tránsito. Bom, aclarar que quando dizem "palavras", estão a se referir a "galego", a lingua, a idioma próprio, enfim a IDENTIDADE.

A partir daí já o caro leitor não hesite em decidir que o problema do sector turístico em Ourense são os própios moradores deste lugar arrebatador e espantoso. Este opróbio fai que, em vez do espaço ser considerado como "desconhecido", para o ourensã passa a ser "escondido". Ourense não é mirabilia de Galiza e do mundo. Este lugar não suscita a curiosidade dos seus nativos porque para eles não tem valor estético nem gustativo ou olfativo. Portanto é impossível que o cidadão faça um esforço pedagógico e moral por explicar a "sua" paisagem porque não acha palavras próprias como, por exemplo, as marabilhosas "socalco" ou "surribas", ou diretamente as palavras repudiadas como "silvas", "cobras" ou "lobo" que lhe lembram um passado faminto, pobre e atrassado.

Para rematar de esnaquizar a realidade social deste "interior" geográfico singular, cabe sinalar que os territórios lindeiros e raianos (maiormente o interior de Tras-Os-Montes e Alto Douro) são quem de aumentar a procura de turistas e o sucesso deste ano 2013 é indicativo, na comparativa entre iguais, do fracasso social, cultural e idiomático de Ourense. Ainda que esta situação, que poderia parescer complexa, tem uma solução fácil e de uma simpleza que poderiamos qualificar de pueril; o estudo, uso e defensa de uma ferramenta económica útil e eficaz, o idioma galego.



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